segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Ratos Humanos

Na véspera do julgamento do gângster Benjamin Costain (Lorne Greene), a principal testemunha de acusação é covardemente assassinada. Isso cria um grande problema para o promotor público Lloyd Hallett (Edward G. Robinson) que deseja ver a condenação de Costain de todas as formas. Assim ele vai até a prisão estadual para tentar convencer Sherry Conley (Ginger Rogers), que está em regime fechado, a testemunhar contra Costain. Em troca de seu testemunho ele promete uma comutação em sua pena. Sherry parece intimidada e nada disposta a aceitar o convite. O promotor então decide tirá-la da prisão por alguns dias, para levá-la até um apartamento no centro da cidade, onde terá maiores chances de fazer Sherry testemunhar contra o criminoso. Ela passa assim a ser protegida pelo tira Vince Striker (Brian Keith). Não será algo fácil de fazer, já que o mafioso já descobriu que o promotor deseja usá-la no julgamento. Agora ele pretende matá-la de todas as formas, pois sua liberdade está em jogo.

"Ratos Humanos" é um bom filme de gângster. Toda a trama se passa em apenas dois dias, justamente os que antecedem o grande julgamento do mafioso Costain. Tudo é feito para que Sherry (interpretada por Ginger Rogers, com cabelos bem curtinhos) aceite testemunhar contra o criminoso que o promotor interpretado pelo ator Edward G. Robinson quer que seja condenado e deportado do país. O papel de Robinson aliás não deixa de ser bem curioso pois ele fez sua carreira interpretado gângsters perigosos, mas aqui surge do lado da lei, como um promotor. A direção de Phil Karlson é enxuta. Ele se limita a contar bem sua história, sem perda de tempo e nem exageros. Ginger Rogers, que foi a atriz mais bem paga de Hollywood durante os anos 40, por causa de seus musicais ao lado de Fred Astaire, se saiu muito bem nesse papel mais dramático. Sua personagem fala pelos cotovelos, seus diálogos são longos, de complicada memorização, em grandes cenas e sequências. Ela aliás está em noventa por cento das cenas. Não foi um trabalho fácil. Mesmo assim se saiu muito bem, nessa atuação de sua fase mais madura. O grande atrativo desse filme vem justamente disso, da oportunidade de conferir mais o lado de atriz da estrela Ginger Rogers, que aqui obviamente não dança e nem canta. No final de tudo ela demonstra que era muito mais do que apenas uma grande dançarina. Era de fato também uma atriz de talento dramático admirável.

Ratos Humanos (Tight Spot, Estados Unidos, 1955) Direção: Phil Karlson / Roteiro: William Bowers, Leonard Kantor / Elenco: Ginger Rogers, Edward G. Robinson, Brian Keith, Lorne Greene / Sinopse: Sherry Conley (Ginger Rogers) é tirada da prisão pelo promotor público Lloyd Hallett (Edward G. Robinson). Ele pretende que ela seja testemunha contra o violento gângster Benjamin Costain (Lorne Greene). Para evitar que seja morta pelo criminoso, Lloyd a deixa sob a proteção do policial Vince Striker (Brian Keith).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Todos os Irmãos Eram Valentes

Filmes de aventuras nos sete mares se tornaram uma das maiores tradições da era de ouro de Hollywood, em sua fase clássica. Aqui temos mais um exemplo, só que ao contrário dos filmes estrelados por Errol Flynn, aqui não temos piratas e nem lutas de capa e espada. A história se passa em meados do século XIX, quando prosperou na costa leste dos Estados Unidos uma rica indústria pesqueira baseada no óleo retirado das baleias. Esse produto era usado para diversos fins, era muito lucrativo e por isso a caça a esses animais se proliferou. O protagonista do filme é justamente um capitão de um veleiro baleeiro chamado Joel Shore (Robert Taylor). De volta ao lar depois de passar dois anos no Pacífico Sul, ele decide se casar com a bela Priscilla 'Pris' Holt (Ann Blyth), representando aqui a amada deixada para trás. Depois de uma breve cerimônia, Shore é contratado para capitanear uma nova embarcação. Ele aceita o convite, mas deixa claro que não irá apenas atrás das baleias, mas também atrás de seu irmão, Mark Shore (Stewart Granger), que seguindo a tradição familiar também era um capitão de veleiros. Durante uma viagem pelos mares do sul ele simplesmente desapareceu. Assim Joel decide seguir seus passos, mesmo sabendo que ele poderia naquela altura já estar morto.

O filme tem uma bonita produção. A direção de fotografia a cargo de George J. Folsey foi inclusive indicada ao Oscar, merecidamente aliás. O filme foi realizado no Caribe, nas costas da Jamaica, o que trouxe um visual belíssimo para as cenas. Outra indicação deveria ter sido dada para os efeitos especiais. Há cenas extremamente bem realizadas durante a caça às baleias, cenas inclusive que me lembraram bastante do grande clássico Moby Dick (que aliás tem sua história passada no mesmo contexto histórico do enredo desse filme, trazendo daí suas semelhanças). Outro fato curioso é que o filme ainda contou com navios verdadeiros, que ainda existiam na época, fazendo com que uma grande dose de veracidade histórica acompanhasse o elenco nesses ricos cenários. Enfim, um filme de sete mares mais do que recomendado. Com um roteiro bem sóbrio, não apelando para duelos de espadas com piratas e coisas afins, esse filme surpreende por ser ao mesmo tempo bem pé no chão, sem com isso perder sua dose de diversão e aventura.

Todos os Irmãos Eram Valentes (All the Brothers Were Valiant, Estados Unidos, 1953) Direção: Richard Thorpe / Roteiro: Harry Brown, baseado na novela histórica escrita por Ben Ames Williams / Elenco: Robert Taylor, Stewart Granger, Ann Blyth / Sinopse: Destemido capitão de um navio baleeiro em expedição pelos mares do Pacífico Sul decide procurar pelo paradeiro de seu irmão, também capitão, que desapareceu há alguns meses nas ilhas daquela região inexplorada e selvagem.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Fronteira

Título no Brasil: A Fronteira
Título Original: Borderline
Ano de Produção: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Jerrold Freedman
Roteiro: Jerrold Freedman, Steve Kline
Elenco: Charles Bronson, Ed Harris, Bruno Kirby, Bert Remsen, Karmin Murcelo
  
Sinopse:
Na fronteira entre México e Estados Unidos, um grupo de policiais americanos tenta evitar a entrada de imigrantes ilegais em seu país. Eles são liderados pelo xerife Jeb Maynard (Charles Bronson) que resolve apertar o cerco após a morte de um veterano patrulheiro da fronteira que era seu amigo pessoal. A partir daí ele começa a investigar o assassinato e descobre que por trás de tudo pode estar um homem especializado em atravessar imigrantes mexicanos pela fronteira. Caberá a Jeb descobrir sua identidade e das pessoas poderosas que estariam financiando suas atividades criminosas.

Comentários:
Em tempos de Donald Trump e sua política de imigração nada mais interessante do que assistir a esse filme estrelado por Charles Bronson. É a tal coisa, a imigração ilegal é um problema bem velho para os americanos pois há mais de 30 anos atrás a situação já era considerada fora de controle. Em determinado momento do filme o xerife de Bronson dá uma ideia do caos que impera naquela região. Ele explica aos seus subordinados que quando começou a trabalhar na fronteira eles prendiam no máximo 10 mexicanos por mês tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos, mas que agora eram mais de três mil por semana! E isso em 1980, quando o filme foi produzido! Imagine a situação nos dias atuais... Além do roteiro esclarecedor que mostra como a imigração ilegal é mesmo um grande negócio para policiais mexicanos corruptos e empresas de fachada do lado americano, o filme também explora as mortes e a profunda exploração dos coiotes em relação aos imigrantes. Um desses coiotes é o grande vilão do filme, um veterano da guerra do Vietnã interpretado por Ed Harris. Usando o que aprendeu no exército ele passa a trabalhar no transporte de imigrantes ilegais, muitas vezes cometendo crimes para isso. Um desses crimes é justamente o assassinato que Bronson passa a investigar. Ele mata um velho patrulheiro da fronteira e quando a bala que o matou ricocheteia em um jovem mexicano ele não pensa duas vezes e mata o rapaz também, tudo a sangue frio. Totalmente rodado na fronteira desértica entre os dois países esse é sem dúvida um dos melhores filmes sobre o tema. Tem cenas excelentes de ação e também um roteiro que é ao mesmo tempo esclarecedor e conscientizador. Um filme muito bom, hoje pouco lembrado. Assista para entender melhor a política do atual presidente americano sobre a imigração ilegal que assola aquela nação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 16 de setembro de 2017

O Poço e o Pêndulo

Título no Brasil: O Poço e o Pêndulo
Título Original: Pit and the Pendulum
Ano de Produção: 1961
País: Estados Unidos
Estúdio: MGM
Direção: Roger Corman
Roteiro: Richard Matheson, baseado na obra de Edgar Allan Poe
Elenco: Vincent Price, Barbara Steele, John Kerr, Luana Anders
  
Sinopse:
Século XVI. Ao descobrir que sua irmã morreu em circunstâncias misteriosas, o nobre Francis Barnard (John Kerr) resolve ir até o castelo onde ela morava com o marido, Nicholas Medina (Vincent Price). O lugar é sinistro, uma velha construção medieval usada no passado como câmera de torturas da inquisição espanhola. Aos poucos Francis vai percebendo que nada é como lhe fora informado. Sua irmã não morrera de um ataque do coração e nem da maneira como ele pensava ter sido. Afinal qual seria a verdade dos fatos naquele ambiente doentio e assustador?

Comentários:
Falar que esse filme foi baseado na obra de Edgar Allan Poe é sem dúvida forçar um pouco a barra. Na verdade apenas os 10 minutos finais tem alguma semelhança com o conto escrito pelo genial Poe. O fato é que o texto original tem uma trama muito simples. Basicamente é um homem que acorda numa câmera de torturas da idade média, onde um pendulo com uma grande Lâmina desce em sua direção. O poço onde ele está seria assim uma metáfora do próprio inferno e o pêndulo uma alegoria do tempo que conforme vai passando vai consumindo nossa existência. Essa é em breves linhas o conteúdo do que Poe escreveu. O roteirista Richard Matheson precisou assim criar todo um enredo próprio para a realização do filme. Dessa maneira surge vários personagens que inexistiam na obra original de Poe, entre eles o fragilizado Nicholas Medina (Vincent Price). Seu pai foi um dos mais sádicos inquisitores da Espanha e quando descobriu que seu próprio irmão estava tendo um caso com sua esposa resolveu torturar a ambos nos mesmos instrumentos de tortura que mantinha nos porões de seu castelo. Ainda criança Nicholas assistiu a tudo. Com o trauma criou uma personalidade frágil e assustada, sempre aterrorizado com as sombras daquele lugar assustador. É curioso porque Price interpreta ambos os personagens, pai e filho. Como Nicholas (o filho) ele é perturbado e medroso, como Sebastian (o pai) é um torturador insano e masoquista. O diretor Roger Corman fez um bom filme (considerado clássico por alguns), mas de modo em geral ficou apenas na média. As cores berrantes do filme atrapalham um pouco, se fosse realizado em preto e branco seria claramente mais assustador. A trama tem bons momentos e como o filme é relativamente curto (pouco mais de 80 minutos), jamais chega a aborrecer o espectador. Corman sabia como dar um ritmo adequado e um corte certo para filmes como esse.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Vampiros de Almas

Título no Brasil: Vampiros de Almas
Título Original: Invasion of the Body Snatchers
Ano de Produção: 1956
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Don Siegel
Roteiro: Daniel Mainwaring, Jack Finney
Elenco: Kevin McCarthy, Dana Wynter, Larry Gates
  
Sinopse:
Ao retornar para a pequena cidadezinha onde mora na Califórnia o Dr. Miles J. Bennell (Kevin McCarthy) começa a receber reclamações estranhas de seus pacientes. Para esses haveria algo muito anormal acontecendo, pois seus parentes não seriam mais quem dizem ser. Eles se pareceriam com seus maridos, tios, pais, mas definitivamente não seriam eles na verdade. Intrigado o Dr. Milles começa a investigar o que estaria acontecendo. Seria algum tipo de delírio coletivo? No mínimo tudo soaria muito estranho... Aos poucos ele vai descobrindo a terrível verdade. O problema é convencer alguém do que estaria acontecendo de fato. Plantas alienígenas estariam trocando os seres humanos por cópias perfeitas? Quem acreditaria em algo tão absurdo?

Comentários:
Esse filme é considerado um dos grandes clássicos de Ficção dos anos 50. O enredo foi baseado em um conto escrito por Jack Finney para a revista de literatura fantástica "Collier's magazine serial". Imaginem uma invasão bem sutil de uma raça de aliens que ao invés de enfrentar os seres humanos em uma grande guerra de mundos estaria aos poucos substituindo todos os humanos por cópias de si mesmos. As estranhas criaturas seriam uma simbiose entre o mundo animal e vegetal e estariam determinadas a conquistar o planeta, se livrando da humanidade que para eles seria completamente descartável por serem seres emocionais e propensos a atos de violência irracional. O roteiro assim joga com o suspense da situação, sem nunca apelar para os efeitos especiais ou monstros, como era de praxe na época. O curioso dessa produção é que ela joga mais com o lado intelectual da situação do que com qualquer outra coisa. Há certamente cenas de ação e tudo mais (como quando os protagonistas fogem colina acima, perseguidos por uma multidão de abduzidos), mas nada disso é o foco principal da fita. Na verdade o criador do conto original fez uma analogia em cima do clima de paranoia em que vivia a sociedade americana. Havia um temor que o comunismo invadisse e destruísse os valores americanos. Isso fica bem claro quando o médico é informado por um dos seres que o objetivo dos aliens seria a construção de uma sociedade sem individualidade, onde todos seriam iguais, subordinados, sem diferenças entre si (e sem emoções também!). Ora, basta entender o contexto histórico do lançamento de "Invasion of the Body Snatchers" para entender bem onde o argumento queria chegar. Claro que passados tantos anos a ideia já não soa tão original como nos anos 50, afinal de contas o filme foi extremamente imitado por décadas! Mesmo assim não há como negar que é realmente um marco na história do universo Sci-Fi americano. Depois de filmes como esse não haveria mais limites para a imaginação dos roteiristas. Sob esse ponto de vista "Vampiros de Almas" realmente fez escola e pode ser considerado uma das ficções mais influentes da história do cinema americano. Pequena obra prima.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Film Noir

O subgênero cinematográfico que passou a ser conhecido como Film Noir na verdade foi uma estética criada dentro dos estúdios para cortar custos. A fotografia escura, muitas vezes apenas escondia a falta de um cenário melhor ou de uma maior falta de recursos dessas fitas, a maioria delas classificadas como filmes B.

Isso ficou bem claro em uma das últimas entrevistas do ator Robert Mitchum, um dos grandes astros desse estilo. Para o ator os filmes Noir, dos quais muitos deles participou, nada mais eram dos que uma forma dos estúdios faturarem um dinheiro extra nas bilheterias sem gastar muito.

O curioso é que esse tipo de produção acabou gerando uma grande fila de admiradores. Os roteiros eram muitas vezes crus e mostravam o lado mais sórdido do ser humano. As mulheres eram fatais, sem escrúpulos ou caráter. Usavam sua beleza em prol próprio, muitas vezes tencionando conseguir alcançar objetivos nada nobres, em muitas ocasiões puramente criminosos. Os detetives contratados não eram igualmente sinônimos de virtude. Eram cínicos e poderiam passar de um lado para o outro com extrema facilidade, muitas vezes impulsionados apenas por ganância e dinheiro.

Como os estúdios não gastavam muito nesses filmes eles também não tinham interesse em controlar muito a produção deles. Isso criava uma liberdade muito grande para os cineastas que usavam essa falta de rédeas da forma mais produtiva e criativa. Alguns filmes noir são verdadeiros exemplos de inovação e ousadia, ficando muitas vezes à frente de seu tempo. Além disso some-se a ótima narrativa que tais filmes possuíam pois sendo a maioria deles curtos (de novo para economizar custos), os diretores criavam pontes de narração extremamente inteligentes, algo que seria copiado também nas grandes produções. Ainda falaremos muito sobre cinema noir nesse blog. Um estilo que nasceu para ser pequeno, mas que conseguiu ser grande graças ao talento dos artistas que nele trabalharam.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 5

Randolph Scott voltou a trabalhar com o diretor Henry Hathaway no western "Maldade" (The Thundering Herd, Estados Unidos, 1933). O roteiro era novamente escrito por Zane Grey, que era tão popular entre os fãs de filmes de faroeste que seu nome conseguia até mesmo um grande destaque nos posters dos filmes que chegavam nos cinemas. O enredo não poderia ser mais referente às mitologias do velho oeste norte-americano.

Scott interpretava um caçador de búfalos chamado Tom Doan. Ele, ao lado de seus homens, caçavam búfalos para lucrar com a venda de suas peles, que na época valiam pequenas fortunas. O trabalho porém era uma verdadeira luta de sobrevivência em terras hostis. Além dos ladrões de peles, sempre dispostos a matar os caçadores, havia ainda a presença perigosa de guerreiros das tribos locais. No elenco o filme ainda trazia a bela  Judith Allen e Buster Crabbe, veterano em filmes de faroeste da época.

Para o filme seguinte Randolph Scott resolveu aceitar um convite para algo completamente inédito em sua carreira, um filme de suspense e terror! "Anjo e Demônio" (Supernatural, Estados Unidos, 1933), com direção de Victor Halperin, tinha um roteiro estranho e em certos aspectos até bem sinistro, misturando fantasia e magia negra em um só pacote. A produção foi estrelada pela linda atriz Carole Lombard. Ela era naquele momento uma das grandes estrelas de Hollywood, uma beldade que estava sempre nas capas de revistas das principais publicações de cinema dos anos 30. Scott diria mais tarde que a oportunidade de contracenar com Lombard havia sido a principal razão para ele aceitar participar desse filme, já que o enredo nada tinha a ver com cavalos, cowboys, índios e duelos no velho oeste, algo que ele ia percebendo era definitivamente o seu negócio no mundo do cinema.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A Invasão dos Bárbaros

Título no Brasil: A Invasão dos Bárbaros
Título Original: Attila
Ano de Produção: 1954
País: Itália, França
Estúdio: Producciones Ponti-de Laurentiis
Direção: Pietro Francisci
Roteiro: Ennio De Concini, Richard C. Sarafian
Elenco: Anthony Quinn, Sophia Loren, Henri Vidal, Claude Laydu, Irene Papas, Colette Régis

Sinopse:
Durante o século V da era cristã, o general romano Aécio (Henri Vidal) é enviado até as terras ocupadas pelos bárbaros conhecidos como Hunos. Eles são liderados por um guerreiro violento chamado Átila (Anthony Quinn). O militar de Roma pretende assinar um tratado de paz com os bárbaros, mas logo percebe que isso é praticamente impossível pois uma invasão está prestes a acontecer nas fronteiras do império.

Comentários:
Filme baseado em fatos históricos reais. Átila, Rei dos Hunos, passou para a história conhecido como "O Flagelo de Deus". Ele liderou a maior invasão bárbara que se teve notícia até então. O outrora glorioso Império Romano estava em franca decadência. Liderado por um jovem e fraco imperador chamado Valentiniano III, Roma acabou sendo invadida pelos Hunos de uma forma nunca antes vista. Esse filme franco italiano tentou contar essa famosa passagem da história da queda do Império Romano. Pena que não teve o orçamento necessário para isso. Realmente o que estraga esse filme é sua fraca produção. Para épicos assim era necessário ter milhões de dólares na época. Como o filme foi feito na Itália, com um orçamento insuficiente, ficamos com aquela sensação ruim de estar assistindo a um teatro filmado, ou pior que isso, a uma novela de TV. O elenco até era muito bom, com destaque para o expansivo Anthony Quinn. Aqui cometeram um erro de maquiagem nele pois para reproduzir os olhos orientais de Átila, puxaram o rosto do ator para trás, lhe trazendo um aspecto nada natural. Sophia Loren, jovem e bonita, muito sensual até, interpretou a irmã do afeminado imperador, a víbora Honoria. Um papel central na trama, pois ela acabou sendo uma das razões da invasão dos bárbaros sobre Roma. O problema é que Loren não era uma atriz muito experiente na época em que o filme foi feito. Sua atuação deixa mesmo a desejar. Assim, no final das contas, temos um filme menor, pequeno demais para a grandeza da história que tenta contar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Audácia Entre Adversários

Título no Brasil: Audácia Entre Adversários
Título Original: Wild Horse Mesa
Ano de Produção: 1932
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Zane Grey, Harold Shumate
Elenco: Randolph Scott, Sally Blane, Fred Kohler, Lucille La Verne, Charley Grapewin, James Bush

Sinopse:
O roteiro desse western é bem interessante, mostrando os conflitos e lutas de um rancheiro chamado Chane Weymer (Randolph Scott). Ele é um homem de bem, honesto, que apenas deseja tocar sua vida em uma região inóspita, bem no meio do deserto do Arizona, mas que para isso terá que enfrentar vilões e facínoras.

Comentários:
O diretor Henry Hathaway voltou a pedir ao estúdio que contratasse Randolph Scott para mais um faroeste. Ele havia assinado para trabalhar na direção da adaptação para as telas de cinema do romance de Zane Grey. Em sua visão apenas Scott tinha os atributos para interpretar o personagem principal, um cowboy chamado Chane Weymer. O filme iria se chamar "Wild Horse Mesa" (no Brasil recebeu o título de "Audácia Entre Adversários"). As filmagens foram feitas em locações desérticas, algo que exigiu muito do elenco e da equipe técnica. Scott ficou bem amigo da estrela do filme, Sally Blane. Essa aproximação (que não passava de simples amizade) acabou caindo nas revistas de fofocas, onde se dizia que os dois atores estavam tendo um caso no set de filmagens. "Pura mentira, mas que ajudava a promover o filme" - relembraria anos depois o próprio ator. "Wild Horse Mesa" foi sucesso de bilheteria. Ainda hoje é cultuado pelos fãs do gênero western. Um bom filme certamente, embora não fugisse muita da mitologia auto centrada que os estúdios de cinema tinham criado para os filmes de faroeste. Havia o mocinho, a mocinha que seria conquistada, os vilões malvados e, é claro, a exuberância dos cenários naturais. A diferença é que o filme foi dirigido pelo grande e talentoso cineasta Henry Hathaway que iria se notabilizar em Hollywood pela diversidade de filmes que dirigiu. Embora tenha feito também grandes filmes de western, inclusive ao lado de John Wayne, esse cineasta procurava ser o mais eclético possível, passeando por todos os tipos de filmes, sem ficar preso a nenhum gênero.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Errol Flynn - Fragmentos de vida de um astro - Parte 2

Nesse mesmo ano, Errol realizou uma festa de "arromba" em sua mansão. A famosa festa só tinha horário para começar: Meia-noite. Já eram duas da manhã, e nada do anfitrião chegar, o salão principal estava lotado de celebridades, como, David Niven, Cary Grant, Gary Cooper e Robert Mitchum.  As mulheres eram, quase em sua totalidade, prostitutas de luxo contratadas a peso de ouro. Exatamente às duas da manhã o anfitrião finalmente dava o ar da graça e adentrava o salão abarrotado de convidados e vestido com um enorme sobretudo e....Pasme!!!!.. completamente nu por baixo da enorme roupa de frio. Flynn trazia consigo duas grandes malas pretas, uma continha artefatos para sadomasoquismo, e a outra continha alguns dos tipos mais pesados de drogas que um ser humano pode experimentar, entre elas, uma espécie fortíssima de maconha oriunda do norte da Africa: "Kif".

Errol trouxera a droga ao voltar de uma viagem que fizera àquele continente logo após a morte de Barrymore. Naquela madrugada, Errol "saboreou" - além das mulheres regiamente pagas para satisfazê-lo - todas as drogas que ali se encontravam, inclusive aprendera na Africa uma receita que, diríamos, seria a precursora do viagra. A receita era a mistura de pasta de cocaína, com pasta de heroína e mais uma erva africana amassada (sem nome). As pastas e a erva eram mexidas com éter e depois de formar um creme, Flynn o aplicava na ponta de seu pênis, o mesmo ficava ereto por várias horas e após várias transas - A libido também se mantinha nas "alturas" e ao contrário dos relacionamentos "normais", ia aumentando após cada transa. Ou seja, Errol Flynn tinha descoberto a fórmula dos sonhos da maioria dos homens, a fórmula do super homem sexual.

Nessa festa, Robert Mitchum quase entrou em coma de tanto fumar Kif. Teve que ser levado às oito horas da manhã para ser reanimado numa clínica especializada -  e devido a uma denúncia anônima, Mitchum saiu da clínica direto para a cadeia, na cadeia voltou a passar mal, e teve que voltar para a clínica, seu estado era lastimável. Mitchum era, naquele momento, o resultado de muito KIF, muito gin, muita vodka e muita cerveja. Seu quadro era assustador e Errol - que o apresentou às drogas - fez de tudo que pôde para reverter, junto aos médicos, o quadro crítico do amigo. Felizmente, conseguiu.

Passados dois anos da famigerada festa, Errol Flynn entrava no estúdio para fazer um dos maiores filmes de guerra já produzidos: "Um Punhado de Bravos" (Objective, Burma! - 1945 ). Nascido em 9 de junho de 1909 na região da Tasmânia - Austrália. Finalmente em 14 de outubro de 1959, consumido e debilitado pelo álcool e pelas drogas, o grande Errol Leslie Thomson Flynn, deu seu último suspiro na cidade de Vancouver aos 50 anos de idade, vítima de um enfarte fulminante. Era o adeus do mais famoso Robin Hood e do eterno Capitão Blood.

Telmo Vilela Jr.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O Abominável Homem das Neves

Título no Brasil: O Abominável Homem das Neves
Título Original: The Abominable Snowman
Ano de Produção: 1957
País: Inglaterra
Estúdio: Clarion Films, Hammer Films
Direção: Val Guest
Roteiro: Nigel Kneale
Elenco: Peter Cushing, Forrest Tucker, Maureen Connell
  
Sinopse:
O Dr. Rollason (Peter Cushing) é um cientista que vai até o Himalaia para estudar plantas raras da região do Tibete. Ele procura entender os segredos da natureza de um dos lugares mais inóspitos do planeta. Quando o caçador Tom Friend (Forrest Tucker) chega também por lá para uma expedição nos picos gelados das montanhas o Dr. Rollason resolve aceitar o convite para seguir com eles na escalada. O que o pesquisador não sabe é que Friend almeja encontrar o mitológico Yeti, conhecido como Abominável Homem das Neves, um primata gigante e ainda desconhecido da ciência que supostamente vive nas neves eternas daquele lugar desconhecido do homem.

Comentários:
Também conhecido como "O Monstro do Himalaia" esse filme mostra porque os estúdios ingleses da Hammer são tão cultuados até hoje em dia. O filme é muito bom, sob qualquer ponto de vista que se analise. Inicialmente o espectador pode pensar que tudo não passa de um filme sobre monstros, mas o roteirista Nigel Kneale reservou algumas surpresas. Para os anos 50 o filme traz uma curiosa mensagem ecológica fazendo um curioso paralelo entre o homo sapiens (o ser humano moderno) e aquela espécie primata ainda desconhecida, provavelmente o elo perdido da evolução da humanidade. Contribui muito para isso o muito bem escrito personagem interpretado por Peter Cushing. Como cientista ele está acima de tudo interessado em desvendar esses caminhos perdidos da teoria da evolução de Darwin, o que lhe faz logo ter um confronto de ideias com Friend (Tucker), o líder da expedição, que só pensa em capturar o Yeti para lucrar com ele. Em suma, o primeiro está ali pela ciência e o outro apenas pelo aspecto comercial que poderia lhe trazer ao prender em jaulas um animal tão raro como aquele. Para criar o clima adequado o cineasta Val Guest joga com a sutileza e o suspense. Nada de banalizar a figura da criatura. Ela permanece nas sombras até os dois últimos minutos finais, quando a mensagem do roteiro muda radicalmente levando o espectador para uma reflexão maior sobre sua existência. Pode parecer pretensioso demais, mas o fato é que "The Abominable Snowman" é muito mais do que um mero filme de monstros dos anos 50. Basta ser um pouco mais inteligente e perspicaz para entender isso. Mesmo após tantas décadas de seu lançamento o filme seguramente segue sendo o melhor sobre o tema. Muito bom, merece aplausos. A Hammer era realmente diferenciada nesse aspecto. Assista e comprove você mesmo.

Pablo Aluísio.

A Biografia de John Wayne - Parte 6

Em 1932 John Wayne atuou no filme "Cavaleiro do Texas" (Texas Cyclone). A direção dessa fita foi do cineasta  D. Ross Lederman. Wayne era até então apenas o quarto nome do elenco, bem atrás do verdadeiro astro do faroeste, o cowboy Tim McCoy. Era um filme de matinê, uma fita rápida de apenas 60 minutos de duração. A  Columbia Pictures estava investindo bastante nesse tipo de produção, exibida para o público jovem, com preços promocionais. Filmes de orçamentos pequenos que traziam lucro certo a cada exibição. Dentro da carreira de John Wayne não trouxe muito em termos de qualidade, mas serviu para deixá-lo na ativa, trabalhando e se tornando mais familiar para o público espectador. Quanto mais conhecido ele ia ficando, melhor!

John Wayne se saiu tão bem na fita anterior que foi logo escalado para outro bang-bang de Tim McCoy. Esse segundo filme, também rodado e lançado em 1932 se chamava "A Lei da Coragem" (Two-Fisted Law). O roteiro era bem simples, mas movimentado e divertido. No centro da trama tínhamos um pacato rancheiro que acaba se vendo no meio de uma disputa por prata nas montanhas próximas de sua propriedade rural. Curiosamente nesse filme John Wayne usou o nome de Duke, que nomeava seu personagem e que também era o seu apelido pessoal, bem conhecido de todos que frequentavam sua recém comprada casa em Hollywood. O Duke do roteiro foi levado pelo próprio Duke, ou seja, ele mesmo, John Wayne.

Depois de dois filmes de western John Wayne resolveu variar um pouco aparecendo no drama esportivo "Homem de Peso" (Lady and Gent). Dirigido por Stephen Roberts essa produção foi a primeira da carreira de John Wayne a ser indicada a um Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original (indicação dada aos talentosos roteiristas Grover Jones e William Slavens McNutt). Wayne interpretava um boxeador chamado Buzz Kinney. Após concluir a escola ele entrava para o mundo dos ringues, mas logo descobria que se tornar um campeão não dependia apenas de seus talentos e golpes, mas também de um intenso jogo de interesses envolvendo apostadores e membros da máfia.

E por falar em bons roteiros, a fita seguinte de John Wayne chamada "O Expresso da Aventura" também era muito bem escrita. O enredo mostrava um trem, onde um crime era cometido. As suspeitas iam para um estranho assassino conhecido apenas como "The Wrecker". John Wayne, ainda bem jovem, interpretava Larry Baker, um investigador que chegava no trem para descobrir o verdadeiro assassino. Com ecos de Agatha Christie, o filme ainda hoje é admirado pelas boas doses de suspense.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A Torre de Londres

Título no Brasil: A Torre de Londres
Título Original: Tower of London
Ano de Produção: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Roger Corman
Roteiro: Leo Gordon
Elenco: Vincent Price, Michael Pate, Joan Freeman
  
Sinopse:
Com o rei Edward IV (Justice Watson) em seu leito de morte, seus dois irmãos são chamados às pressas para o castelo real. Edward quer uma transição pacífica no trono e para isso resolve deixar a sua coroa para seu irmão mais jovem, Clarence (Charles Macaulay), pois ele é considerado um homem sábio que poderá levar em frente a Inglaterra rumo ao seu destino. A escolha deixa estarrecido seu outro irmão, o invejoso e vil Richard de Gloucester (Vincent Price), que quase que imediatamente decide apunhalar Clarence pelas costas para ser coroado o futuro rei. Ao assumir a coroa como Richard III, ele começa a dar sinais de insanidade, vendo velhos fantasmas de pessoas assassinadas por ele, inclusive de seu irmão Clarence. 

Comentários:
Em 1939 o ator Vincent Price atuou na primeira versão de "A Torre de Londres". Ele ainda estava no começo da carreira (esse foi seu quarto filme) e ele interpretava o jovem Duque de Clarence. Nessa primeira versão o insano Richard era interpretado por Basil Rathbone. Outro grande ídolo do terror também estava no elenco, Boris Karloff. Os anos se passaram e Price virou um ídolo do gênero. Nesse remake de 1962 ele foi escalado pelo diretor Roger Corman para atuar como o insano Richard III. A nova versão é bem curiosa, embora você tenha que ter em mente que não encontrará nada aqui remotamente parecido com as outras versões da obra de William Shakespeare que foram realizadas ao longo de todos esses anos. Corman não está interessado em ser fiel ao histórico dramaturgo e nem sua famosa peça. Ao contrário disso tenta aproveitar todos os elementos fantasmagóricos dessa estória para criar um filme bem aterrorizante. A sua opção por filmar em preto e branco foi muito acertada. Filmes de época, com baixo orçamento, sempre acabavam ficando melhor na fotografia preto e branco. Se Corman tivesse escolhido o sistema de cores tudo soaria mais falso. Price adorou sua caracterização do insano Rei Richard III, um homem não apenas fisicamente defeituoso, mas moralmente também. Mentiroso, cruel e assassino ele não mede qualquer esforço para se coroar rei da Inglaterra. Para isso vale tudo, até mesmo matar seu próprio irmão Clarence. Extremamente falso em suas atitudes o rei não encontra qualquer limite ou barreira ética para impor sua vontade, satisfazendo sua ganância pessoal por poder e riquezas. Assim gostei bastante desse remake de "Tower of London". Não é tão criativo e original como o primeiro filme, mas tem seus méritos cinematográficos. Vale a pena assistir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Errol Flynn - Fragmentos de vida de um astro - Parte 1

Após as filmagens de "Capitão Blood" (1935), a fama de Errol Flynn, chegara a estratosfera. Naquela época, anterior à Segunda Guerra Mundial, Errol, - que nessa mesma guerra, foi um espião a serviço da Inglaterra - representava uma mistura estranha: ao mesmo tempo em que enlouquecia as mulheres com seu imenso charme e seu maravilhoso físico, também lutava e procurava disfarçar de todos o seu imenso complexo de inferioridade. Sua arrogância não tinha limites, só aceitava mulheres que servissem para ele como meras escravas sexuais - ou seja, mulheres "sem cérebro" - e que ele dispensava a hora que bem entendesse.

Quanto aos amigos, só aceitava andar acompanhado daqueles "chamados" inferiores ou que não lhe fizessem sombra. Desconhecia as palavras bondade e humildade. Eram raros os dias de bom humor, só estava de bom humor e demonstrava amor pelo seu cão, "Arno", um Schnnauzer cinza e branco. Além disso, Flynn era um brigão inveterado que por diversas vezes quebrou bares inteiros, arrebentando a cara dos engraçadinhos que o chamavam de "herói de mentirinha de Hollywood". O astro sempre levava a melhor pois treinava boxe quase que diariamente com seu treinador pessoal. Segundo o próprio Flynn, o famoso John Huston, também gostava de dar os seus murros e invariavelmente os dois treinavam juntos nos jardins da mansão do mais famoso Robin Hood do cinema.

Depois das filmagens do longa, "Carga da Brigada Ligeira" (1936), que tinha como diretor, seu amigo e padrinho no cinema Michael Curtiz, Errol Flynn, mais famoso e mais rico, mandou construir dois "brinquedinhos" dos sonhos: um iate que ele batizou de Sirocco com dois enormes mastros medindo 70 pés cada um e uma mansão luxuosa em Mulholland Drive, que, segundo ele, serviria apenas para as suas festas mais loucas possíveis e para os encontros com seus amigos. A mansão tinha uma enorme sauna finlandesa que se ligava ao quarto de Flynn por uma espécie de porta-secreta. Tirando o chão, o quarto do astro era todo espelhado - paredes e teto formavam quase que um só espelho e abrigando no centro uma gigantesca cama redonda. A visão da janela do quarto era deslumbrante, dali, se descortinava as paisagens maravilhosas do Vale de San Fernando.

A mansão, segundo Flynn, se tornara refúgio de um de seus amigos mais queridos: John Barrymore - o outro amigo era David Niven. Flynn sabia que Barrymore estava chegando ao fim. Em 1942 com o falecimento de John Barrymore, Errol entrou em profunda tristeza protagonizando uma das cenas mais bizarras da história de um ser humano. Com sua influência e dinheiro, Flynn "comprou" um serviço no mínimo fantasmagórico e de um mau gosto sem precedentes, ele fez com que o funcionário da funerária onde estava o corpo de Barrymore, vestisse o famoso defunto, com terno, gravata, calça, meias e sapato e o levasse até a sua mansão, em sua ausência é claro.

Lá o funcionário teria que arrumar o famoso corpo na poltrona onde ele gostava de sentar-se, na posição correta e com o seu famoso charuto entre os dedos "esperando" pela chegada do melhor amigo. Flynn, já sabendo que o seu melhor amigo o "esperava", chegou tarde da noite, completamente bêbado e, quando viu, no reflexo da luz da lua que entrava pela janela, aquela silhueta fastasmagórica de Barrymore sentado na poltrona, entrou numa profunda crise de nervos e de choro, ficando abraçado ao corpo do amigo morto por vários minutos. Duas horas depois, como combinado, o funcionário da funerária voltou à mansão para levar o corpo de Barrymore de volta à funerária, levando também consigo uma polpuda gorjeta. Ninguém sequer desconfiou.

Telmo Vilela Jr.

domingo, 3 de setembro de 2017

As Profecias do Dr. Terror

Título no Brasil: As Profecias do Dr. Terror
Título Original: Dr. Terror's House of Horrors
Ano de Produção: 1965
País: Inglaterra
Estúdio: Amicus Productions
Direção: Freddie Francis
Roteiro: Milton Subotsky
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Donald Sutherland, Roy Castle
  
Sinopse:
Durante uma viagem, em um vagão de trem, um homem misterioso que se diz chamar Dr. Schreck (Peter Cushing) começa a colocar cartas de tarot para os demais passageiros, mostrando através delas o futuro de cada um deles. Isso dá origem a uma série de contos de terror onde elementos fantásticos cruzam o caminho do destino de todos eles.

Comentários:
Um filme de terror inglês muito bem realizado, com boa produção e um elenco realmente acima da média. São cinco contos de terror, todos eles profetizados pelo Dr. Terror (Cushing), um dos passageiros em uma viagem de trem. No primeiro denominado "Werewolf" um arquiteto é contratado para ir até uma velha casa. Sua proprietária quer reformar o lugar. Ao descer no porão o sujeito descobre por acaso uma tumba que supostamente teria pertencido a um homem que em um passado distante se transformava em lobisomem nas noites de lua cheia. Em "Creeping Vine" uma planta misteriosa parece ter inteligência, matando todos os que cruzam seu caminho. No terceiro conto chamado "Voodoo" um músico inglês em viagem a um país caribenho debocha de uma antiga divindade vodu. Ele resolve copiar a música usada em cultos religiosos a essa divindade e a leva de volta a Londres com consequências terríveis para todos. "Disembodied Hand" mostra um arrogante e petulante crítico de arte, Franklyn Marsh (Christopher Lee), que parece ter imenso prazer em desmoralizar o trabalho de alguns pintores. Ao ser humilhado por um deles, resolve se vingar, passando com seu carro em cima da mão desse artista. Ele morre, mas sua mão resolve voltar do além para acertar contas com o assassino. Por fim, fechando o filme, surge o quinto conto, "Vampire". Um jovem médico, o Dr. Bob Carroll (Donald Sutherland) tem sua vida, que parecia tão perfeita, virada de cabeça para baixo ao descobrir que sua jovem e bela esposa é na verdade uma vampira. Todas as estórias possuem uma fina ironia, típica do humor negro inglês, que melhora ainda mais o resultado final. Como era de se esperar alguns contos são melhores do que os outros, mas de uma maneira em geral tudo é muito divertido, nostálgico e até mesmo saboroso. Um exemplo perfeito do charme do cinema inglês em seu momento de auge criativo no gênero terror. Imperdível realmente.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.