quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tarzan e o Menino da Selva

Título no Brasil: Tarzan e o Menino da Selva
Título Original: Tarzan and the Jungle Boy
Ano de Produção: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Robert Gordon
Roteiro: Robert Gordon
Elenco: Mike Henry, Rafer Johnson, Aliza Gur, Steve Bond, Edward Johnson, Ron Gans

Sinopse:
Um jornalista e sua noiva viajam até a África para descobrir o paradeiro de um garoto desaparecido, o filho de um geólogo inglês famoso. Mal sabe o casal que Tarzan (Mike Henry), o Rei da Selva, já encontrou o menino. Ele estava perdido na selva. Agora Tarzan luta para mantê-lo seguro, uma vez que uma tribo nativa quer colocar as mãos nele. Na lei da selva apenas o mais forte conseguirá sobreviver.

Comentários:
Terceiro e último filme do ator Mike Henry no papel de Tarzan, o imortal personagem criado por Edgar Rice Burroughs. Ele havia estreado nos filmes de Tarzan em "Tarzan e o Vale do Ouro" em 1966, sendo seguido de sua continuação "Tarzan e o Grande Rio", um ano depois. Nenhum desses filmes conseguiu ser um grande sucesso de bilheteria. Mesmo sendo bem produzidos, com a marca de qualidade da Paramount Pictures, o fato é que o público parecia um pouco cansado do próprio personagem Tarzan. Era algo previsível pois desde os primeiros filmes com Johnny Weissmuller havia uma certa regularidade de lançamento de filmes com o Rei das Selvas. Assim a fórmula foi se desgastando naturalmente pelo excesso de filmes, ano após ano. Com Mike Henry as coisas não melhoraram muito. Seus três filmes como Tarzan até que são bons, podem ser consideradas aventuras divertidas. O problema é que Mike Henry não tinha muito nome dentro da indústria e ele mesmo não parecia confortável no papel, tendo que arcar com acidentes e problemas durante as filmagens. Em certo momento chegou a ser mordido por um chipanzé, em outro foi atacado por um touro enfurecido. Assim acabou resolvendo deixar Tarzan de lado, encerrando sua participação como o famoso herói dos livros e quadrinhos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Humor de Jerry Lewis - Parte 1

Sem exageros, Jerry Lewis foi certamente um dos humoristas mais populares e queridos do cinema americano. O curioso é perceber que sua ida para as telas foi quase um acaso do destino. Jerry era comediante de palco, fazia apresentações em hotéis, cassinos e restaurantes. Sua grande sacada foi se unir ao cantor Dean Martin. Jerry interpretava o pateta da dupla, enquanto seu colega era o galã, o conquistador. Desse choque de diferenças nascia a maioria das situações de humor.

A fórmula deu tão certa que a dupla foi convidada pelo produtor Hal Wallis (de "Casablanca") para aparecer no filme "A Amiga da Onça" (My Friend Irma, 1949). Era uma comédia romântica bem bobinha (mas igualmente divertida) estrelada pela atriz Diana Lynn. Era verdade que não havia muito espaço dentro do roteiro para Martin e Lewis, mas isso acabou se revelando uma vantagem e não um problema. Isso porque nas poucas cenas que tiveram para mostrar seu trabalho eles conseguiram se destacar. Mais do que isso, muitos críticos foram além, dizendo que eles tinham roubado o show, o filme, só para si.

Havia ficado meio óbvio para Hal Wallis e os executivos da Paramount Pictures que ali poderia haver uma grande oportunidade de ganhos e lucros. Afinal muitas duplas cômicas tinham feito sucesso antes no cinema como, por exemplo, O Gordo e o Magro e Abbott & Costello. Curiosamente Wallis também logo percebeu que a cabeça pensante da dupla não era Dean Martin, como muitos poderiam pensar. O verdadeiro talento para negociar contratos e impor cláusulas e condições para novos filmes vinha de Jerry Lewis. Basicamente ele havia criado aquele número e não estava disposto a abrir mão do controle artístico dos filmes em que iria atuar.

No começo Jerry Lewis abriu espaço para vários diretores, mas depois de um tempo ele mesmo assumiu a direção dos filmes, aumentando seu controle sobre tudo. Dean Martin era um sujeito bem cool, que parecia não se importar e nem se preocupar muito. Para ele o importante era que a dupla estava fazendo cinema em Hollywood, ganhando bem e com enorme potencial de sucesso nos anos que viriam. Era um sonho realizado. Já Lewis não era tão tranquilo assim. Mesmo no começo da carreira ele fazia questão de discutir os roteiros dos filmes com os diretores, sempre colocando "cacos" em sua interpretação. Nesses primeiros filmes ele ainda não havia mostrado toda a sua sede de controle, mas era apenas questão de tempo para tudo isso acontecer.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Os Filmes de Montgomery Clift - Parte 2

Montgomery Clift sempre teve um relacionamento muito complicado com seu pai. Isso se referia à sua vida pessoal e profissional. O pai queria que Monty arranjasse um trabalho convencional, que estudasse para ser advogado ou médico. Monty não queria saber de passar sua vida dentro de um consultório ou escritório. Ele queria atuar. O pai achava que ser ator era algo completamente indigno, até vergonhoso. Atuação era coisa de prostitutas e vagabundos na mente dele. Monty porém via isso como uma visão grotesca e antiga, que sequer merecia comentários. Por isso resolveu ser ator em Nova Iorque. Estudar para isso.

Em relação à vida amorosa também havia muitos conflitos. O pai queria que ele se casasse, que formasse uma família. Monty detestava essa ideia. Na verdade ele não queria ser como seu pai, tendo uma vida completamente enfadonha, vivendo de migalhas em um casamento infeliz. Tão ruim era a ideia do casamento que Monty jamais se casaria. Ele adorava ser solteiro, explorar outras possibilidades. Além disso o que ele menos desejava era uma esposa mandona, que o controlasse. A vida de casado era completamente fora de seus planos. E obviamente isso o levou a ter brigas e mais brigas com o pai, até o dia em que o ator viu que era hora de morar sozinho. Ele alugou um apartamento em Nova Iorque foi à luta.

Depois de passar por um exame extremamente concorrido finalmente foi aceito no Actors Studio. Essa foi uma escola lendária de arte dramática, fundada por Elia Kazan e outros grandes professores e diretores, tanto de teatro como de cinema. Estudando e trabalhando em peças pela cidade, Monty foi firmando sua reputação como ator talentoso e profissional. Sempre era pontual nos ensaios e nunca esquecia suas falas. No Actors Studio conheceu Marlon Brando. O colega estava indo para Hollywood, após se consagrar nos palcos de teatro de Nova Iorque. Monty não tinha, pelo menos naquele momento, esse tipo de ambição. Ele queria antes se tornar um grande ator de teatro, para só depois, quem sabe, virar um ator de cinema.

Isso duraria pouco. Monty era um ator profissional e vivia de seu trabalho. Sempre que surgia uma boa proposta de trabalho ele tinha que levar em consideração. Em 1948 um produtor de Hollywood chamado Lazar Wechsler entrou em contato com a agente de Monty em Nova Iorque. Ele queria contratar o ator para atuar no filme "Perdidos na Tormenta" que seria dirigido por Fred Zinnemann. O cachê era excepcionalmente bom, o equivalente a quatro meses de trabalho duro como ator de teatro em Nova Iorque. Monty engoliu todas as reservas que tinha contra os filmes e pegou o primeiro avião para a costa oeste. Ele estava prestes a fazer seu primeiro filme na cidade, algo que definitivamente mudaria sua vida dali em diante. 

Pablo Aluísio.  

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Paul Newman e o seu Tempo - Parte 1

Quando Paul Newman surgiu no mundo do cinema muitos o compararam com James Dean, o ídolo rebelde. Afinal eles tiveram praticamente as mesmas origens, estudaram nas mesmas escolas, moraram nos mesmos lugares e até mesmo se conheceram pessoalmente, se tornando amigos. Dean gostava de Newman e acreditava que ele um dia iria se tornar um astro. Estava mais do que certo. Havia um espírito de camaradagem e amizade entre eles porque afinal de contas ambos eram ex-alunos da principal escola de arte dramática de Nova Iorque: o Actors Studio. 

Fundado por Elia Kazan, essa pequena escola fincada no 44th Street do bairro de Hell's Kitchen, formou uma geração de grandes atores como Marlon Brando, Al Pacino e os próprios James Dean e Paul Newman. Kazan queria que a arte dramática atingisse um novo patamar de excelência, tanto nos palcos como nas telas de cinemas. Paul Newman acreditava nesse ideal e seus primeiros trabalhos nos palcos de Nova Iorque foram maravilhosos. Ele surpreendeu a crítica não apenas por causa de seu ótimo visual, mas também pelo talento que demonstrava ao interpretar seus personagens. 

Como Paul Newman estava se destacando nas peças teatrais e também em aparições na TV americana, onde interpretava personagens épicos em grandes adaptações de autores consagrados para o mundo da televisão, ele logo chamou a atenção dos grandes estúdios de Hollywood. Era o mais forte candidato a substituir James Dean. Claro que o tempo iria demonstrar que Paul Newman não era apenas o sucessor de Dean. Ele era um artista completo, com suas próprias peculiaridades, qualidades e personalidade. E Newman também não queria ser visto apenas como uma espécie de herdeiro de James Dean. Isso o limitaria demais como ator. Ele obviamente queria ter o seu próprio espaço. 

A estreia de Newman em Hollywood porém foi bem decepcionante. Sem ter experiência, ele sucumbiu aos interesses dos executivos da Warner Bros. Ele imediatamente foi escalado para atuar na produção "O Cálice Sagrado", filme dirigido pelo cineasta Victor Saville. Era um épico sobre as origens do cristianismo. Um filme de época, que para falar a verdade não era o mais adequado para Newman naquele momento de começo em sua carreira no cinema. O roteiro tinha problemas, sendo reescrito a todo tempo, enquanto se filmava às pressas. A direção de arte também era bem estranha, com cenários e ambientação fugindo demais do que era esperado de um filme como aquele. O clima de tensão e stress não ajudou em nada e anos depois o próprio Paul Newman reconheceu que sua atuação havia deixado muito a desejar. Logo ele, que tanto primava por atuar bem. Quando o filme surgiu nas telas, Newman decidiu fazer algo inédito na história de Hollywood, publicando uma carta nos jornais pedindo desculpas por sua fraca atuação. Ele prometia melhorar nos próximos filmes em que iria atuar. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

As Vidas de Marilyn Monroe - Parte 17

Há bastante semelhança entre as carreiras de Marilyn Monroe e Grace Kelly. Ambas começaram como modelos, mas tinham desejo mesmo de se tornarem atrizes. Quando o primeiro marido de Marilyn saiu para uma longa viagem (ele era marinheiro da marinha mercante), Marilyn decidiu terminar seu casamento. Ela tinha muitos sonhos e não estava mais disposta a sacrificar sua vida sendo apenas uma dona de casa. Ela escreveu uma carta para o marido, colocou sua aliança dentro e deu adeus para a vida de jovem senhora.

Depois disso colocou todas as suas roupas numa mala e pegou o primeiro ônibus para Los Angeles. Marilyn queria ser estrela em Hollywood, igual a Lana Turner, que ela admirava. Depois de fazer vários ensaios como modelo fotográfica de revistas da moda, Marilyn finalmente conseguiu sua grande chance em um novo filme da Columbia Pictures. Embora seu destino estivesse totalmente ligado à Fox, Marilyn surgiu pela primeira vez numa tela de cinema em uma produção da Columbia.

Não foi uma grande estreia. Marilyn Monroe recebeu 125 dólares (uma quantia irrisória) para apenas passar andando na frente da câmera. O filme se chamava "Idade Perigosa". O ano era 1947. Em pleno período do pós-guerra, Marilyn mostrava que não havia nada de errado em ser bonita, loira e insinuante. Ela era basicamente uma pin-up, uma garota do calendário, daquelas que tiravam fotos em poses sensuais para serem vendidas para os soldados americanos que lutavam no exterior. Embora não fosse grande coisa, sua personagem nem nome tinha, o fato é que aparecer no cinema já era a realização de um sonho para a jovem Norma Jean. Quem diria... Logo ela que tanto sonhava ser uma estrela de Hollywood, agora aparecia finalmente em um filme!

Marilyn costumava dizer que ela havia sido picada pela febre da vontade de se tornar uma artista com esse seu primeiro filme. Ela estava disposta a não parar nunca mais! Um ano depois ela teve outra chance. O filme se chamava "Nasceste Para Mim". Se o primeiro filme era um drama, sem muitas possibilidades para Marilyn chamar mais atenção, esse seu segundo filme era um musical romântico bem divertido, com muitas canções e cenas de dança (como era comum nos musicais da época, obviamente inspirados nas peças da Broadway). O roteiro se passava nos anos 1920 e mostrava parte da vida do bandleader Chuck Arnold. Um filme muito promissor, porém grande parte da participação de Marilyn acabou sendo cortada na sala de edição. Isso porém não atrapalhava suas ambições. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde iria ter a grande chance que tanto esperava.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Horas Intermináveis

Título no Brasil: Horas Intermináveis
Título Original: Fourteen Hours
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: John Paxton, Joel Sayre
Elenco: Paul Douglas, Richard Basehart, Grace Kelly, Debra Paget, Jeffrey Hunter, Barbara Bel Geddes
  
Sinopse:
A vida não tem mais sentido para Robert Cosick (Richard Basehart). Desesperado por ter perdido tudo, ficando arruinado financeiramente, ele decide subir até o décimo quinto andar de um edifício de Nova Iorque para pular. O policial Charlie Dunnigan (Paul Douglas) é então chamado para atender essa ocorrência e tenta convencer o potencial suicida para que não pule em direção à morte. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Direção de Arte (Lyle R. Wheeler e Leland Fuller). Também indicado ao BAFTA Awards na categoria Melhor Filme Americano do Ano.

Comentários:
Um filme noir que acabou sendo conhecido por ser o começo das carreiras de atores jovens (e naquela época ainda desconhecidos), que iriam fazer sucesso em Hollywood nos anos que viriam. O caso mais famoso nesse aspecto foi a da estreia de Grace Kelly no cinema, ainda bastante inexperiente, interpretando uma personagem coadjuvante. Jovem e linda, ainda não se sabia que ela iria se tornar uma das maiores estrelas do cinema americano. Além de Grace o elenco de apoio ainda trazia Jeffrey Hunter, que iria se consagrar interpretando Jesus Cristo no épico "Rei dos Reis" e Debra Paget, que se tornaria famosa ao fazer a namorada do roqueiro Elvis Presley em "Ama-me com Ternura" (o faroeste "Love Me Tender"). Ou seja, poucas vezes se viu um elenco jovem tão promissor como nesse filme. Em termos gerais é um suspense noir que se baseia em uma situação limite que dura intermináveis 14 horas, onde um homem em desespero ameaça se suicidar, pulando do décimo quinto andar de um prédio em Nova Iorque. Enquanto ele ameaça pular ou não, um policial tenta convencê-lo a não fazer isso. A história foi baseada em fatos reais. Durante a grande depressão muitas pessoas perderam tudo na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque e se suicidaram. O filme assim romanceia um desses casos que terminou de forma trágica.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

As Cartas de Grace Kelly - Parte 5

Em 1951 Grace Kelly finalmente estreou em Hollywood no filme "Horas Intermináveis" de Henry Hathaway. Era um filme da estética noir, com trama forte e pesada, mostrando um homem em desespero, prestes a cometer suicídio. O elenco era estrelado pelo ator Paul Douglas, cujo sucesso foi efêmero. Hoje em dia poucos se lembram dele, ao contrário de Grace Kelly que estava destinada a ser uma grande estrela. Outro nome interessante no elenco era o de Jeffrey Hunter, que assim como Grace, também estava em um papel coadjuvante.

A personagem de Grace se chamava senhorita Louise Ann Fuller e não tinha maior importância no filme. Isso porém era algo não tão importante, pois o que valia a pena mesmo era tentar se tornar mais conhecida em Hollywood. Em Nova Iorque Grace já tinha uma boa base de contatos no mundo fashion, da moda, e nos episódios de algumas séries de TV. Em Hollywood porém ela ainda tinha que se fazer conhecida.

Apesar de seu primeiro filme ser um noir sem muito orçamento (típico desses filmes da época), a produção ao menos conseguiu chamar atenção suficiente para arrancar uma indicação ao Oscar na categoria de melhor direção de arte. Um crítico de Los Angeles inclusive chegou a elogiar Grace Kelly por causa de sua beleza e boa presença de cena, algo que repercutiu entre os produtores da indústria. O produtor e diretor Stanley Kramer estava escalando o elenco de um novo western que seria estrelado pelo astro Gary Cooper. A direção já havia sido acertada com o mestre Fred Zinnemann. O papel da esposa do xerife Kane estava em aberto. Várias atrizes tinham sido testadas para interpretar Amy Fowler Kane, mas sem sucesso.

Foi então que Kramer pensou em Grace Kelly. Ele havia assistido "Horas Intermináveis" e gostado muito de Kelly no filme. O problema é que ao tentar entrar em contato com seu agente, o produtor descobriu que Grace havia viajado de volta naquela manhã para Nova Iorque. Kelly tinha compromissos na cidade, para atuar em uma série de programas de TV e ensaios para revistas de moda. A sorte da atriz é que a pré-produção de "Matar ou Morrer" (um dos maiores clássicos do western de todos os tempos) também atrasou, fazendo com que ela tivesse tempo de cumprir todos os seus compromissos para só assim voltar para Los Angeles. Esse seria o primeiro grande filme de sua carreira e aquele que mudaria os rumos de sua trajetória de atriz para sempre!

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Porta de Ouro

Título no Brasil: A Porta de Ouro
Título Original: Hold Back the Dawn
Ano de Produção: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Mitchell Leisen
Roteiro: Charles Brackett, Billy Wilder
Elenco: Charles Boyer, Olivia de Havilland, Paulette Goddard, Victor Francen, Walter Abel, Rosemary DeCamp
  
Sinopse:
O playboy franco-romeno Georges Iscovescu (Charles Boyer) decide se mudar para os Estados Unidos. O problema é que como imigrante ele só receberá o Green Card se conseguir se casar com uma americana. E assim ele o faz, se casando com Emmy Brown (Olivia de Havilland). Georges pretende retornar aos braços de sua querida Anita Dixon (Paulette Goddard), também estrangeira na América, mas acaba sendo pego pelo destino ao se apaixonar por Emmy.

Comentários:
Comédia de costumes com toques românticos que acabou se tornando um inesperado grande sucesso de público e crítica. Só para se ter uma ideia da ótima receptividade que esse filme teve na época basta relembrar que ele conseguiu seis indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Olivia de Havilland), Melhor Roteiro Adaptado (Charles Brackett e Billy Wilder), Melhor Fotografia em Preto e Branco (Leo Tover), Melhor Direção de Arte (Hans Dreier e Robert Usher) e Melhor Música (Victor Young). O filme só não venceu o Oscar naquele ano porque realmente havia filmes excepcionais concorrendo. O grande vencedor do prêmio da noite acabou sendo "Como era Verde o meu Vale", o clássico imortal de John Ford. Outro concorrente? "Cidadão Kane"! Era mesmo impossível vencer nessa premiação! De qualquer forma as indicações já foram vitórias diante de tantos concorrentes maravilhosos. Sobre o filme em si não há nada a criticar. O roteiro é bem sofisticado, com situações e diálogos excepcionalmente bem escritos. Billy Wilder, no começo de carreira, já demonstrava todo o seu talento nesse roteiro. O elenco também é acima da média. Além da classe tipicamente francesa de Charles Boyer, havia ainda duas estrelas de cinema que marcaram a história de Hollywood, Olivia de Havilland e Paulette Goddard, ambas bem inspiradas em cena. Assim deixamos a dica desse clássico do humor mais sofisticado e do romantismo mais elegante. Bons tempos que não voltam mais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 30 de abril de 2017

10 Curiosidades - ...E o Vento Levou

1. Embora o estúdio só tenha creditado o cineasta Victor Fleming na direção, o filme na realidade teve três diretores diferentes. Além de Fleming trabalharam na complicada produção os diretores George Cukor e Sam Wood. Cada um deles, ao seu modo, também contribuíram para esse grande clássico da história do cinema.

2. A atriz Vivien Leigh não se deu muito bem com Clark Gable durante as filmagens. O astro era conhecido em Hollywood por sempre tentar seduzir as estrelas com quem trabalhava. Leigh não tinha nenhuma atração pessoal por Gable e isso criou um certo clima de tensão entre eles. Nos dias atuais, pelos padrões da nossa sociedade, poderia se dizer que Gable assediou Vivien Leigh de uma forma nada profissional.

3. O filme até hoje é considerado a maior bilheteria da história do cinema americano. Embora em números absolutos essa bilheteria tenha sido superada por outros filmes ao longo dos anos, o fato é que se fazendo cálculos de atualização monetária, nenhum outro filme rendeu tanto como "...E O Vento Levou", que chegou nas telas de cinema pela primeira vez em 1939.

4. A diferença de cachê entre Vivien Leigh e Clark Gable foi absurdo. Ele ganhou quarenta vezes a mais que sua parceira de cena. A razão era que Gable já era um superstar quando o filme foi feito. Ele era um dos astros mais populares de Hollywood. Já Vivien Leigh era considerada na época apenas uma atriz de sorte que acabou sendo escolhida para interpretar uma das personagens mais cobiçadas pelas estrelas de Hollywood.

5. Hattie McDaniel se tornou a primeira atriz negra a ser indicada e premiada pelo Oscar por sua atuação no filme.

6. Durante a pré-produção o estúdio ficou com sérias dúvidas se o filme seria colorido ou em preto e branco. Na época alguns executivos defenderam a ideia de que sendo em preto e branco o filme teria mais chances no Oscar. Depois o chefão da MGM decidiu que o filme seria rodado em cores. Nesse aspecto "... E O vento Levou" acabou sendo o grande pioneiro, se tornando assim a primeira produção colorida da história a vencer o Oscar de Melhor Filme.

7. Também se tornou o filme mais longo da história a ser premiado em todas as grandes categorias do Oscar. A média dos vencedores anteriores era de uma hora e meia de duração. "...E O Vento Levou" derrubou esse paradigma com seus longos 240 minutos de duração.

8. Segundo descobriu-se anos depois em documentos, mais de mil atrizes foram entrevistadas para interpretar Scarlett O'Hara. Dessas, 400 foram chamadas para testes. No final de um processo exaustivo de seleção a MGM finalmente escolheu a atriz inglesa Vivien Leigh para interpretá-la, algo que causou controvérsia por causa de sua nacionalidade não americana.

9. Vivien Leigh confidenciaria anos depois em uma entrevista que a parte mais complicada de fazer o filme foi aturar o mau hálito de Clark Gable. O ator era fumante inveterado e tinha alguns problemas de estômago, o que piorava ainda mais a situação. E Leigh tinha que passar a impressão que era apaixonada por ele nas telas.

10. O produtor David O. Selznick procurou por Alfred Hitchcock, perguntando se ele estava disposto a trabalhar no filme. Educadamente Hitchcock disse que não era o tipo de filme em que ele costumava trabalhar. Mesmo recusando o convite aceitou ajudar em apenas uma cena do filme, em que o estúdio não considerava muito bem dirigida.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Marlon Brando - A História de um Mito - Parte 13

Depois do aclamado "O Último Tango em Paris", Marlon Brando surpreendeu a todos ao aceitar participar do novo filme de Arthur Penn chamado de "The Missouri Breaks" (Duelo de Gigantes, no Brasil). Era realmente de cair o queixo o fato do grande ator aceitar trabalhar em um filme menos pretensioso, menos artístico. Além disso era um western, gênero que ninguém pensava que Brando voltaria a atuar.

Na realidade o ator queria mesmo relaxar. Ele tinha atuado em filmes fortes, verdadeiros clássicos e estava de certa forma exausto da repercussão que essas obras tinham provocado. Era impossível para Brando encarar mais uma obra de grande magnitude pela frente. Assim ele optou por algo mais comercial, mas simples, menos estressante. Some-se a isso o fato de Brando ter a chance de atuar ao lado de seu amigo e vizinho Jack Nicholson, um sujeito de quem ele gostava bastante, algo raro dentro da comunidade de cinema em Los Angeles, onde todos pareciam competir ferozmente entre si.

Um fato curioso aconteceu durante as filmagens desse filme. O estúdio começou a atrasar os depósitos dos pagamentos de Brando em sua conta corrente. Isso irritou o ator. Nada parecia menos profissional do que atrasar o cachê de um astro de seu porte. Assim Brando começou a jogar também. Ele de repente começou a esquecer sua falas, atrasando completamente o cronograma de filmagens. Os dias iam passando e nada de Brando acertar suas cenas. O amigo Jack Nicholson logo entendeu as intenções de Marlon e se divertiu muito com o fato. O impasse durou até o produtor Elliott Kastner resolver ir pessoalmente até o trailer do ator. Brando, com aquele seu jeito único, explicou a situação então ao produtor: "Sabe Elliot, talvez se não esquecerem mais de me pagar, eu consiga me lembrar das minhas falas!". Recado dado e entendido, a Paramount nunca mais atrasou os pagamentos de Marlon.

Outra coisa que chamou a atenção foi o fato de Brando novamente resolver improvisar. Ele achava que o roteiro não era grande coisa, por isso começou a criar coisas absurdas para seu personagem. Em seu livro de memórias o ator explicou que seu personagem era um pistoleiro genérico, sem muitos atrativos. Então ele resolveu se vestir de mulher, ter um comportamento excêntrico e fazer coisas impensáveis para um assassino profissional no velho oeste. O diretor Arthur Penn gostou das inovações e assim Brando imprimiu sua marca autoral nesse faroeste que tinha tudo para ser mais uma fita banal do gênero.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Asas de Águias

Título no Brasil: Asas de Águias
Título Original: The Wings of Eagles
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: John Ford
Roteiro: Frank Fenton, William Wister Haines
Elenco: John Wayne, Maureen O'Hara, Dan Dailey, Ward Bond, Ken Curtis, Edmund Lowe
  
Sinopse:
Durante a formação da primeira esquadrilha de aviões da marinha americana, o piloto Frank 'Spig' Wead (John Wayne) acaba se destacando por sua coragem e audácia. Ele é um militar rebelde que nem sempre segue as ordens. Quando a marinha resolve disputar com o exército uma volta ao mundo ele prontamente se dispõe a liderar sua equipe. Apenas uma surpresa do destino acaba parando seus planos para essa aventura inesquecível.

Comentários:
John Ford foi um mestre do cinema. Disso ninguém tem dúvidas. A questão é que até mesmo os grandes cineastas dão tropeços em sua carreira. Esse "Asas de Águias" foi seguramente um dos piores filmes de Ford. Mesmo trabalhando ao lado de John Wayne, em uma história tão interessante, baseada em fatos reais, pouca coisa funciona. No começo do filme Ford adota um tom exageradamente pastelão. Isso mesmo, em um filme que se propunha a ser um drama de guerra, Ford colocou cenas exageradamente cômicas, com direito a bolos e tortas na cara e calhambeques disputando corridas com aviões (como se o espectador estivesse assistindo a um velho filme de "O Gordo e o Magro"). Nada chega a ser engraçado, apenas constrangedor. Depois o filme avança e Ford, aos poucos, vai mudando o estilo. O personagem de John Wayne sofre um acidente doméstico, ao cair de uma escada, e se torna paraplégico. Ele que sempre foi um militar audacioso teria que lidar agora com uma terrível nova realidade. E aí, do nada, o que era pastelão se torna dramalhão. É um pouco demais para o público, vamos convir. Essa montanha russa de estilos cinematográficos acaba atrapalhando o filme como um todo. Sem ter como pilotar novamente então o personagem de John Wayne vai para Hollywood e se torna roteirista de filmes de guerra. A história real de Frank 'Spig' Wead poderia render algo muito mais interessante. Ele próprio poderia ter escrito um roteiro melhor para o filme, porém quando esse foi realizado ele já estava morto. Uma pena, de certa forma John Ford, apesar de todas as suas boas intenções e talento, estragou essa biografia do velho piloto da marinha. Se tivesse adotado um tom sério e mais centrado no drama real vivido por Spig teríamos um filme muito mais interessante. Do jeito que ficou tudo soa muito bobo e fora de propósito. Esse filme certamente foi uma bola fora dentro da filmografia do grande John Ford. A lição que fica é a de que até os grandes gênios do cinema cometem sua dose de bobagens nas telas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 23 de abril de 2017

Cinema Clássico - Galeria de Imagens: Roger Moore e Tony Curtis

Ivanhoé 
Roger Moore, o futuro agente 007 James Bond, também interpretou outro herói muito famoso da literatura inglesa: o nobre cavaleiro Sir Wilfred de Ivanhoé, em uma popular série que durou duas temporadas e 39 episódios durante os anos de 1958 e 1959. Para Moore o programa foi extremamente importante pois ajudou o ator a ser mais conhecido do público em geral. Tão boa foi a receptividade que Ivanhoé também passou a ser exibido na TV americana, durante o período vespertino, algo que impulsionou ainda mais a fama de Moore. Curiosamente em 1952 foi produzido um filme americano com o personagem nos cinemas. Dirigido por Robert Thorpe e estrelado por Robert Taylor, essa em uma aventura medieval com muitos combates, duelos e cavalheirismos, típicos da Idade Média. Sobre o filme Roger Moore, com seu típico humor britânico decretou: "Nossa série era bem melhor!". A série de Ivanhoé com Roger Moore foi recentemente lançada em um box com todos os episódios na Europa e Estados Unidos. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

Tony Curtis e a pintura
Uma das paixões do ator Tony Curtis era a pintura. Quando não estava atuando em algum filme o astro de Hollywood passava seus dias criando quadros. No começo ele foi prejudicado no mundo das artes justamente por ser um ator famoso. Ninguém queria levar à sério seu talento com os pincéis, porém Curtis ignorou as críticas e continuou a pintar. Com os anos acabou se tornando um bom pintor, ganhando inclusive resenhas elogiosas em revistas especializadas. Também promoveu exposições muito bem sucedidas em Los Angeles, Nova Iorque e Chicago, algo que lhe enchia de orgulho pessoal. Outra função muito importante que a pintura exerceu em sua vida foi que o hobbie também foi utilizado pelo ator como terapia. Nos anos 60 Tony Curtis perdeu o controle sobre seu vício em drogas, em especial a terrível dependência química da heroína. Para superar esse vício avassalador, Curtis começou a pintar cada vez mais e mais, como uma maneira de libertar sua mente. Muitos anos depois ele confessaria durante uma entrevista que a pintura havia literalmente salvado sua vida nesse período tão difícil de seus problemas com drogas pesadas. Sobre a importância das artes plásticas em sua vida Tony Curtis diria: "Salvou a minha vida! Eu amo as pinturas mais do que qualquer outra coisa em minha vida".

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os Filmes de Montgomery Clift - Parte 1

Edward Montgomery Clift nasceu em uma família aristocrata de Omaha, Nebraska, a mesma cidade que deu ao mundo outro gênio da atuação, Marlon Brando. Entre os dois atores haveria sempre uma coincidência de destinos. Eles nasceram na mesma década (Clift em 1920 e Brando em 1924) e na mesma cidade. Durante os anos 1950 se tornariam grandes astros do cinema americano, elogiados por suas grandes atuações nas telas. Apenas as origens sociais eram diferentes. Enquanto Montgomery Clift nasceu no lado rico de Omaha, em uma família bem tradicional da cidade, Brando era apenas o filho de um caixeiro viajante, membro de uma família bem disfuncional que vivia no lado pobre de Omaha, do outro lado da linha do trem.

Mesmo assim o destino e a sétima arte os uniriam, até mesmo porque a riqueza da família Clift seria tragada por causa da grande depressão que arrasaria a economia americana em 1929, durante a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. O pai de Monty, um rico especulador de ações, perderia praticamente tudo com a crise. Arruinados financeiramente, a família Clift mudou-se então para Nova Iorque, deixando o meio oeste durante os anos 1930. Essa mudança de cidade iria também mudar para sempre o destino de Montgomery Clift. Criado para ser um dândi da elite de Nebraska, ele precisou rever seus conceitos na grande cidade, na grande Maçã, como Nova Iorque era conhecida.

Ao invés de estudar em colégios privados tradicionais ele foi parar em uma escola pública do Brooklyn. Monty que sempre havia estudado com jovens ricos e bem educados de Omaha, se viu de repente no meio de um pessoal mais barra pesada, que partia para a briga nos intervalos. Nova Iorque era realmente uma selva e para sobreviver por lá o jovem Monty precisou se impor, não por meio de sua educação refinada, mas sim pela força dos punhos. Sem dúvida foi uma mudança brutal, de um meio aristocrático, para um realidade bem mais pé no chão.

Em meio a tantas mudanças algo no novo colégio mudaria para sempre sua vida. Ele se apaixonou pelo teatro. O departamento teatral da escola era muito bom, muito original, um ambiente que valorizava o talento dos alunos que mostravam o interesse pela arte de interpretar. Monty foi fisgado desde os primeiros dias. Ele sabia que Nova Iorque era um dos lugares mais efervescentes do mundo em termos teatrais. Havia muitas peças sendo encenadas na Broadway e no circuito Off-Broadway. As oportunidades estavam em todos os lugares. Vendo que poderia arranjar trabalho no meio teatral da cidade ele se empenhou nas peças escolares em que atuou. Seu objetivo era ganhar experiência para partir para a Broadway, até porque trabalhar havia se tornado uma necessidade em sua casa, pois seu pai enfrentava muitas dificuldades para arranjar um emprego.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Calvário da Glória

Um filme realmente magnífico. A história se passa no meio teatral de Nova Iorque durante os anos 1950. É para lá que viaja Sam Lawson (Anthony Franciosa). Vindo de uma cidadezinha do interior ele tem muitos sonhos de se tornar um ator de sucesso na grande cidade. Para trás ele deixa a noiva Barbara (Joan Blackman). Assim que embarca no trem seu coração dispara, afinal é uma nova fase que vai nascendo em sua vida. E então vem a decepção. Assim como ele, há milhares de outros atores em Nova Iorque em busca de uma chance. A imensa maioria deles está desempregada. Os testes são extremamente competitivos e se torna mais fácil ganhar na loteria do que ser escolhido para atuar em uma peça.

Essa dura realidade vai minando os sonhos de Sam. Ele conhece um produtor de peças, Maurice 'Maury' Novak (Dean Martin), tão fracassado como ele e Shirley Drake (Shirley MacLaine), a filha de um dos produtores mais prestigiados de Nova Iorque, um boçal arrogante que parece ter prazer em humilhar os atores que buscam um espaço em suas peças teatrais. Como se pode perceber é uma galeria de personagens cruéis, violentos, irascíveis... todos tentando vencer em uma ramo verdadeiramente selvagem da grande metrópole. Para Sam a tragédia é ainda maior porque sua bela e jovem noiva não reage bem ao seu fracasso profissional. Ela fica grávida, perde o filho e o casamento não sobrevive a tantos problemas. Sam tenta muito ter uma oportunidade, mas todas as portas parecem estar fechadas para ele.

O roteiro desse filme sobre fracasso, desesperança e também persistência, é brilhante. Ele foi escrito pelo genial Dalton Trumbo que fez uma crônica sobre a destruição dos sonhos do protagonista. Obviamente Trumbo conheceu muitos atores que viveram a mesma situação de Sam. Pessoas cheias de sonhos que foram trucidadas pela realidade da vida. O personagem principal porém não deixa de ser um exemplo, principalmente pelo desfecho do filme. Trumbo preferiu a esperança do que o fracasso, a glória de uma vida de lutas do que passar uma mensagem pessimista, sórdida e cruel. Nesse aspecto ele conseguiu fechar com chave de ouro seu maravilhoso texto. Deu-se ao privilégio inclusive de colocar elementos de sua própria vida pessoal no enredo, como a perseguição aos comunistas na época, os impedindo de trabalharem e sobreviverem.

Além do roteiro que é inegavelmente uma obra prima, outro aspecto chama a atenção do espectador: o maravilhoso elenco. Todos estão em momento de graça. Até mesmo o cantor Dean Martin surpreende com sua atuação. Ele é um produtor de peças baratas do circuito Off-Broadway que vai vivendo um dia de cada vez. Shirley MacLaine é outro destaque absoluto. Uma menina rica, abusada, alcoólatra, com problemas psicológicos, que vira um elo nada sólido entre o fracasso e o sucesso daqueles que orbitam ao seu redor. Um fato curioso é que muitos astros recusaram o convite para atuar nesse filme. O tema do fracasso de um ator certamente assustou as estrelas de Hollywood. Coube então ao corajoso Anthony Franciosa assumir o papel principal, nesse que foi seguramente seu mais brilhante trabalho de atuação. "Calvário da Glória" é isso. Uma crônica sobre os sonhos em pedaços, mostrando o valor daqueles que persistem na busca por uma vida melhor.

Calvário da Glória (Career, Estados Unidos, 1959) Direção: Joseph Anthony / Roteiro: Dalton Trumbo / Elenco: Anthony Franciosa, Dean Martin, Shirley MacLaine, Carolyn Jones, Joan Blackman / Sinopse: Sam (Franciosa) é um ator fracassado que tenta de todas as formas vencer no concorrido mercado teatral de Nova Iorque. Apesar de seus esforços todas as portas parecem estar fechadas para seus sonhos. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Fotografia (Joseph LaShelle), Melhor Figurino (Edith Head) e Melhor Direção de Arte (Hal Pereira e Walter H. Tyler). Filme vencedor do Globo de ouro na categoria de Melhor Ator - Drama (Anthony Franciosa).

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

As Vidas de Marilyn Monroe - Parte 16

Uma das histórias mais loucas da vida de Marilyn Monroe até hoje desperta dúvidas sobre sua veracidade. Até mesmo autores que vasculharam a fundo sua biografia ficam sem saber se tudo não passou de um boato ou se foi mesmo verdade. É a famosa história do casamento mexicano de Marilyn, quando ela, aparentemente em uma farra de fim de semana que fugiu do controle, acabou se casando no México. O estúdio ficou apavorado porque naquele momento Marilyn Monroe era sua principal estrela e não iria cair nada bem a divulgação de que ela teria se casado em segredo, em um fim de semana de bebedeiras, com um desconhecido, numa cidadezinha do México.

Robert Slatzer era um jornalista que ela conheceu durante as filmagens de "Torrente de Paixão". Ele conheceu Marilyn mais de perto e descobriu que tinha algo em comum com ela, pois gostava de diversão e festas. Os dois também gostavam muito de beber. Ir para o México para comemorar o fim das filmagens pareceu um convite interessante para Marilyn. Então em um fim de semana de 1952 eles atravessaram a fronteira. Era comum americanos exagerarem nas cidades mexicanas, era uma espécie de tradição entre os jovens. Então Marilyn e Slatzer resolveram fazer jus a isso.

Eles beberam por vários dias seguidos, saíram pelas ruas atrás das festas populares da vilas mexicanas e chegando numa localidade afastada resolveram procurar um padre local para se casarem, bem ao meio dia, depois de uma noite de excessos. Eles se casaram e depois de alguns dias voltaram para Los Angeles. O produtor Zanuck ficou irado quando soube de tudo. Mandou Marilyn e Slatzer de volta ao México para que eles anulassem o casamento por lá. Tudo isso teria acontecido em menos de um mês, mostrando como era caótica a vida de Marilyn Monroe na época.

O que era verdade e o que era mentira nesse boato? Robert Slatzer morreu afirmando que havia se casado com Marilyn. Ele até escreveu um livro chamado "A Vida e a Curiosa Morte de Marilyn Monroe", onde também defendia que Marilyn havia sido assassinada por um complô conspiratório liderado pela família Kennedy. Ao longo dos anos surgiram inúmeros artigos publicados em revistas e jornais, ora desmentindo completamente o suposto casamento mexicano de Marilyn, ora confirmando tudo com testemunhas e documentos obtidos além da fronteira. Talvez a verdade esteja no meio termo, talvez tudo tenha um fundo de verdade, muito embora não da forma tão exagerada como Robert Slatzer contou em seus textos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Vamos Dançar?

Título no Brasil: Vamos Dançar?
Título Original: Shall We Dance
Ano de Produção: 1937
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Mark Sandrich
Roteiro: Allan Scott, Ernest Pagano
Elenco: Fred Astaire, Ginger Rogers, Edward Everett Horton, Eric Blore, Jerome Cowan, Ketti Gallian
  
Sinopse:
Durante uma viagem de navio rumo a Nova Iorque, o mestre do mundo da dança Pete "Petrov" Peters (Fred Astaire) descobre que no mesmo navio viaja a estrela dos musicais Linda Keene (Ginger Rogers). E eles acabam se tornando alvo de uma fofoca que diz que supostamente estariam casados em segredo, algo que deixa Petrov completamente indignado. Mas haveria algum fundo de verdade nessa estória? Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Música original (They Can't Take That Away from Me" de George Gershwin e Ira Gershwin).

Comentários:
O que menos importava nos filmes da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers eram as estórias contadas em seus filmes. Tudo no fundo não passava de um mero pretexto para que eles apresentassem nas telas algumas das melhores coreografias de dança da era de ouro do cinema clássico americano. Tão perfeitas eram as cenas de dança que Ginger Rogers acabou criando uma antipatia por seu parceiro Fred Astaire. Ele era um desses dançarinos perfeccionistas ao extremo, que rodava uma cena inúmeras vezes para atingir a perfeição. Isso deixava Ginger completamente exausta. Agora, é impossível não entender que Fred Astaire estava com a razão. Dentro dessa era de ouro dos musicais ele acabou protagonizando alguns dos melhores filmes do gênero, justamente por causa desse seu método de trabalho. Para tanto Fred não precisava de muita coisa, um cenário básico, um item qualquer, tudo virava magia em suas coreografias. Ele realmente foi o maior dançarino da história do cinema americano, em todos os tempos. Se tem dúvidas confira essa produção para bem entender o que estou afirmando.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Ocaso de uma Alma

Título no Brasil: O Ocaso de uma Alma
Título Original: Good Morning, Miss Dove
Ano de Produção: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Henry Koster
Roteiro: Eleanore Griffin, Frances Gray Patton
Elenco: Jennifer Jones, Robert Stack, Kipp Hamilton, Robert Douglas, Chuck Connors, Peggy Knudsen
  
Sinopse:
O filme narra a história de Miss Dove (Jennifer Jones). Após a morte de seu pai ela se vê em uma situação bem complicada. O pai deixou muitas dívidas com um banco e ela precisa arranjar um trabalho de qualquer maneira e o mais rapidamente possível! Acaba se tornando professora de uma escola para crianças de sua cidade. Os anos passam e Miss Dove acaba se tornando uma das pessoas mais queridas da comunidade, até que um dia, em plena sala de aula, ela passa mal, indo parar em um hospital.

Comentários:
O grande destaque desse filme é a interpretação inspirada da atriz Jennifer Jones. Ela interpreta uma professora desde a sua juventude até sua velhice, quando é internada às pressas em um hospital. No leito de seu quarto ela começa a perceber como é uma pessoa querida dos moradores daquele lugar. Quase todos são ex-alunos dela, desde o médico que a atende, passando pela enfermeira, indo até um jovem pobre que acabou se tornando um policial. Grande parte das histórias de cada um é contada em flashbacks, enquanto Miss Dove espera pelo resultado de seu exame. O filme é nostálgico, mostrando e valorizando a figura de uma professora que dedicou toda a sua vida ao ensino das crianças. De geração em geração, todos acabam prestando uma homenagem a ela no hospital onde está internada. É um filme bonito, com o roteiro valorizando aspectos importantes na vida de uma mulher que abriu mão de muitas coisas, até de parte de sua vida pessoal, para se dedicar à arte de ensinar. É interessante também por mostrar uma outra visão desse tipo de profissional que hoje em dia anda tão desvalorizado. Nas pequenas cidades dos Estados Unidos dos anos 50 a realidade era bem diferente, tanto em disciplina na sala de aula, como também no prestígio dessa professora única interpretada pela talentosa Jennifer Jones. O filme assim fica mais do que recomendado para os cinéfilos que apreciam o cinema clássico em sua fase mais inspiradora.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.