segunda-feira, 12 de novembro de 2012

James Dean, o Mito Rebelde

Ao morrer com apenas 24 anos numa estrada no meio do nada, James Dean se tornou um mito eterno. A juventude americana logo abraçou como nunca se viu a imagem, os maneirismos e o modo de ser de Dean. Ele virou um dos maiores ícones culturais daquele país, rivalizando com outros grandes nomes como Marilyn Monroe e Elvis Presley. Mas afinal qual foi o segredo que levou o ator de Indiana aos picos do Olimpo onde moram os Deuses imortais do cinema? A própria personalidade de James Dean ajudou muito nessa sua mistificação. Em vida ele sempre foi uma pessoa diferente. Em Hollywood onde todos os atores e atrizes procuravam se auto promover para aparecer nas colunas de fofocas ou nas revistas de cinema, Dean seguia na contramão. Odiava entrevistas, não dava bola para as colunistas sociais e nem se fazia de simpático só para agradar. Pelo contrário, era um sujeito que se comportava da mesma forma dentro e fora do set de filmagens. Não estava preocupado em concessões e nem em aparecer em frívolas reportagens de veículos de comunicação sem conteúdo. Era um outsider, um sujeito que chamava atenção pelo estilo de vida. Por essa razão logo ganhou a fama de "rebelde", de "fora dos padrões".

Apesar de jovem, James Dean costumava debater seus personagens com os diretores de igual para igual. Gostava de ser desafiado em cada novo papel e quando as coisas não iam bem no estúdio não guardava suas opiniões para si, ousando criticar monstros sagrados da direção na frente de todos. Puxou confusão até mesmo com Jack Warner, o todo poderoso executivo do estúdio Warner Bros. Ao adentrar certa vez seu escritório encontrou um retrato seu na parede ao lado dos demais astros do estúdio. Olhou aquilo, ficou fitando, acendeu um cigarro e falou para o surpreso chefão: "Tire meu retrato daqui. Não sou propriedade de ninguém!" Depois sentou na frente da escrivaninha e colocou os pés sobre a mesa, numa pose de total desrespeito para com seu próprio patrão. James Dean era assim, um cara que não procurava aparentar o que não era. Quem não gostasse de seu modo de ser, azar.

Ao lado da atuação James Dean tinha uma grande paixão por carros de corrida e velocidade. Gostava de participar de corridas  e era considerado um perigo no volante, não apenas contra ele mas contra os outros competidores na pista também. Não raro se envolver em pequenos acidentes nessas competições. Era qualificado como um verdadeiro "pé de chumbo" pelos outros corredores, ou seja, um sujeito que ia com tudo nas corridas, passando por cima de todos, sem muita noção do perigo. Para completar era míope e enxergava muito mal sem óculos. Essa sua loucura por velocidade e aventura acabaria sendo mais tarde sua ruína. Ao resolver viajar com seu Porsche novinho, chamado carinhosamente por ele de "pequeno bastardo", por uma estrada em Salinas, Dean encontrou seu destino. Durante o trajeto foi parado por um patrulheiro rodoviário por excesso de velocidade. Levou uma multa e uma advertência mas não ligou para isso. De volta à estrada novamente voltou a pisar fundo em seu carro. Ao seu lado seguia seu mecânico particular que ia discutindo com o ator pelo caminho sobre seu novo carro. James Dean queria acelerar e ir ao limite para "amaciar o motor" do pequeno bastardo pois quando chegasse na corrida o carro já estaria devidamente calibrado. Má idéia.

Esse foi seu grande erro. Numa bifurcação da estrada um carro de um fazendeiro local entrou na pista perpendicular em que Dean vinha em alta velocidade. James Dean estava na preferencial e vinha tão rápido que pensou que o outro motorista iria parar seu veículo. Até comentou com o mecânico ao lado: "Esse cara vai ter que parar!". Não parou. O choque foi certeiro. O Porsche ao tocar a parte da frente do outro carro literalmente voou como uma bala e foi se espatifar do outro lado da estrada. James Dean teve morte instantânea pois quebrou o pescoço com o violento impacto. O seu companheiro de viagem conseguiu ter mais sorte e sobreviveu ao acidente. Já o fazendeiro que estava no outro carro nada sofreu, fruto da robustez de seu veículo. O socorro chegou logo depois mas Dean já estava morto e não havia mais nada o que fazer. Embora tivesse terminado três filmes recentemente, apenas "Vidas Amargas" tinha sido lançado. Os demais estavam em fase de pós produção. Dean nunca teve a oportunidade de conferir nas telas seu trabalho em "Juventude Transviada" e "Assim Caminha a Humanidade". Morreu muito jovem, na flor da idade, e nem teve tempo suficiente de desfrutar de sua fama que estava surgindo naquele momento. Assim que a notícia se espalhou todos ficaram chocados. Sua morte teve um grande impacto nos meios de comunicação. Em pouco tempo Dean virava assunto nacional.

O carro de James Dean após o acidente

Da noite para o dia ele virou ídolo de milhões de jovens ao redor do mundo. Os destroços de seu carro foram comprados por um empresário oportunista que colocou o objeto em exposição pelo país afora. Por cinco dólares o fã de Dean até podia sentar no mesmo banco em que ele estava quando ocorreu o terrível acidente. Outro segmento que resolveu explorar a morte do ator foi o meio editorial. De repente as livrarias foram invadidas por livros de memórias de amigos, ex-namoradas, colegas de profissão e tudo mais. Muitas dessas pessoas tiveram contatos superficiais com Dean mas isso não parecia importar pois todos queriam ganhar dinheiro em cima de seu mito. Um ex-amante confidenciou depois que havia perdido milhões por ter jogado fora as cartas de amor que Dean havia lhe escrito! A Academia também não deixou passar a oportunidade e indicou o ator postumamente por seus trabalhos. Uma das poucas vozes que discordaram de todo esse clima foi Humphrey Bogart. O ator de Casablanca foi muito sincero e declarou: "Se estivesse vivo James Dean jamais conseguiria ficar à altura do mito que criaram em torno de sua imagem. Nunca vi um estúdio (a Warner) trabalhar tanto na construção de uma imagem de um ator morto como agora!". O cineasta Robert Altman aproveitou o clima e se mandou para Indiana para entrevistar parentes, amigos da juventude e quem mais encontrasse pela frente. Assim foi realizado o documentário "The James Dean Story" que conseguiu preservar para a história depoimentos de pessoas realmente importantes na vida de Dean, como seus tios que o criaram após a morte precoce de sua mãe.

Conforme os anos vão se passando os artistas mortos geralmente vão sendo esquecidos mas alguns conseguem romper essa barreira do tempo e da mortalidade. Assim como aconteceu com Marilyn Monroe e Elvis Presley, a lenda de James Dean se recusa a morrer e cair no esquecimento. Todos os anos a revista Forbes publica a lista dos artistas mortos que mais faturam todos os anos e James Dean segue firme e forte na lista. Por trás da adoração em torno de seu nome há um aspecto curioso. James Dean virou símbolo não apenas de rebeldia mas de juventude também. Para sempre será jovem e bonito, na flor de seus 24 anos. Nunca envelhecerá, nunca se tornará decadente. Aliando seu nome à eterna juventude James Dean provavelmente jamais será esquecido pois isso é algo que jamais deixará de ser perseguido pela humanidade: a busca pela eterna juventude.

Pablo Aluísio.

8 comentários:

  1. Pablo:

    Duas coisas:

    1- Você disse "James Dean estava na preferencial mas vinha tão rápido que pensou que o outro motorista iria parar seu veículo." nao seria? "James Dean NÃO estava na preferencial mas vinha tão rápido que pensou que o outro motorista iria parar seu veículo." para a frase fazer sentido, senão o motorista do caminhão foi um assassino, culposo, mas um assassino do James Dean, uma vez que não lhe deu a preferência, porvocando um acidente fatal.

    2- Me perdoe discordar de você, mas, infelizmente, o James Dean está sendo esquecido. O seu mito resistiu até os anos noventa, mas vem sendo completamente ignorado pelas novas gerações que reconhecem, Che Guevara, obviamente, o Elvis e até Marlon Brando, mas quando se mostra uma foto do Dean para um moço ou uma moça de hoje e se pergunta de quem se trata, a reposta é: um modelo? É triste mas é a verdade.

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  2. Eu entendi o que você escreveu Serge mas realmente o texto está certo, Dean vinha na preferencial e por isso contava que o outro motorista iria parar para lhe dar passagem.

    Tudo leva a crer que o outro motorista simplesmente não o viu. O carro de Dean era muito pequeno e rebaixado e estava contra a luz do sol. Para piorar sua cor fazia com que o carro se perdesse no horizonte. Um motorista menos atento não pararia pois simplesmente não o veria (foi o que ocorreu).

    Na questão da culpa a coisa fica mais complicada pois Dean vinha em alta velocidade, acima do permitido e por isso o outro motorista não poderia ser culpado. Não esqueçamos que ele estava em um carro de corrida em velocidade absurda.

    Sobre o James Dean estar sendo esquecido, bom é algo natural mas seu nome ainda pode ser considerado relevante, segundo a Forbes a marca James Dean rende anualmente algo em torno de 5 milhões de dólares com a comercialização de sua imagem.

    Também já tive experiências ruins com pessoas mais jovens não reconhecendo ele mas contra isso só podemos lutar escrevendo textos como o acima para que não esqueçam de seu mito.

    Abraços,
    Pablo Aluísio.

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  3. Ps: Fiz uma pequena modificação no texto, tirei o "mas" da frase e coloquei "e", assim espero que seu sentido fique menos dúbio.

    Pablo Aluísio.

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  4. Entendi Pablo, ele esta na prefenrencial, porem em altissíma velocidade. Que tragédia!

    Bom,neste caso a morte cristlizou o mito. Quantos ficaram vivos para apenas provocar a sua decadência, e com isso apagando os anos de gloria passados. É o inexorável destino.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. O maior mistério sobre James Dean é o seu cabelo.Nas fotos mais antigas, o seu cabelo é ondulado depois aparece liso. O que foi que James Dean fez com o cabelo?

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  7. O destino de James Dean é o mesmo de Rodolfo Valentino, o esquecimento. Elvis, pela força da música, do marketing, ainda vai resistir muito tempo.

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  8. Na época do Dean os produtos para cabelos começaram a ser industrializados em larga escala. Entre os vários produtos que caíram no gosto da juventude estava a famosa Brilhantina que se tornou febre também no Brasil.

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