sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Casablanca

Casablanca é uma cidade situada no Marrocos. Também foi um local vital para os refugiados europeus que fugiam do regime nazista. De Casablanca era possível pegar um avião rumo a Lisboa e de lá fugir para os Estados Unidos. É nesse local que vive Rick Blaine (Humphrey Bogart), um americano cínico, sempre com uma ironia na ponta de língua. Se dizendo “neutro” em relação a tudo que acontece na Europa nas vésperas da entrada dos EUA no conflito, ele angaria simpatia de todos os lados, dos membros do regime entreguista francês aos integrantes da famosa resistência francesa. Dono de um bar muito procurado na região que acaba funcionando como ponto de encontro de refugiados em busca de uma saída de Casablanca rumo à liberdade. Os problemas para Rick começam a surgir quando um conhecido lhe pede que fique de posse de dois salvo-condutos, documentos que garantem a quem os possuir livre passagem rumo à Lisboa. Para completar o intrigado jogo de xadrez ele ainda tem que lidar com a volta de Ilsa (Ingrid Bergman) uma antiga paixão dos tempos em que morava em Paris. “Casablanca” é seguramente um dos maiores clássicos do cinema americano. O filme virou símbolo de toda uma era. Ao longo dos anos ganhou uma áurea e um status que o coloca lado a lado a outros grandes filmes como “E O Vento Levou” e “Cidadão Kane”. O curioso é que não foi recebido com todo essa consagração em sua época. Embora tenha sido o grande vencedor do Oscar em seu ano o filme era visto apenas como uma produção pouco acima da média de Hal B. Wallis. Não era considerada uma obra prima e nem um marco da história do cinema americano. De fato “Casablanca” só adquiriu todo essa importância nos anos seguintes. Mas afinal o que tornou esse filme o cult que é hoje? E por que foi elevado à posição de produção símbolo da época de ouro de Hollywood? Responder a essas perguntas não é nada fácil. O que parece ter acontecido é que “Casablanca” por ter vários elementos cruciais daquele cinema clássico acabou ganhando a posição de símbolo daqueles anos, daquela era dourada.

Temos que reconhecer que o filme em si ainda é muito bem realizado, muito bem roteirizado e tem os elementos certos bem encaixados. A Academia reconheceu esse aspecto e premiou "Casablanca" com os Oscars de Melhor Direção (Michael Curtiz), Filme e Roteiro. A trilha sonora, sempre lembrada, leva o espectador de forma imediata ao conturbado mundo político da II Guerra. Não há batalhas e nem combates em cena, é um filme de bastidores, que mostra a luta de quem apenas desejava sobreviver. O personagem de Bogart também é um sobrevivente. Sob uma postura de cinismo e frieza a tudo o que acontece ao redor existe um idealista que lutou contra o regime ditatorial na Espanha. Além disso embaixo da fachada de fria indiferença com as mulheres existe um homem apaixonado e magoado por ter sido abandonado pela mulher que amava. Nem é necessário elogiar a grande interpretação de Bogart. Com eterno cigarro na boca, rosto de tédio e expressão cool, o ator arrasa em sua caracterização. De fato o personagem reúne tudo o que faria de Bogart um mito eterno do cinema. Já Ingrid Bergman impressiona pela beleza, pelos olhos sempre cheios de lágrimas e pela sensualidade á flor da pele. O curioso é que sua personagem nem deveria despertar tanto carisma assim no espectador, uma vez que é uma mulher casada que se envolveu com um outro homem em Paris. O público porém ignora tal fato e ela surge suprema em cena, despertando suspiros em cada momento que aparece. Assim temos em “Casablanca” um filme mitológico que consegue trazer conspirações, conchavos e romance, tudo na medida certa. Além disso os personagens são modelos de uma época do cinema americano que já não existe mais. Muito provavelmente por isso o filme seja tão cultuado. É uma miscelânea do que se produzia em sua época. Por todas essas razões é até desnecessário falar mais sobre o filme. “Casablanca” é um clássico para se assistir, sentir e sonhar. Um filme realmente atemporal e eterno. 


Casablanca (Casablanca, EUA, 1942) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein, Howard Koch, Murray Burnett, Joan Alison / Elenco:  Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre, S. Z. Sakall, Madeleine Lebeau / Sinopse: Após ser perseguido pelos nazistas um atravessador entrega a Rick, dono de um bar cassino em Casablanca, dois documentos que garantem passe livre a quem os possuir. Ao mesmo tempo Rick reencontra uma antiga paixão dos tempos em que morava em Paris. Após ser abandonado sem razão ela agora está de volta e pretende fugir com o marido rumo aos Estados Unidos. Apenas Rick possui a chance de lhe dar os salvo-condutos. Será que fará isso pelo amor de sua vida?

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um comentário:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.6

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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