quarta-feira, 20 de março de 2013

E O Vento Levou

Depois de quatro horas de filme, a sensação é de puro êxtase. Não há um mortal sequer que consiga ficar indiferente a este que com toda certeza é o filme mais famoso e popular de Hollywood. Baseado no romance homônimo de Margareth Mitchel e vencedor do Prêmio Pulitzer de 1937, "... E o Vento Levou" (Gone With The Wind - 1939) é daqueles filmes onde tudo funciona, tudo se encaixa perfeitamente e o time de atores juntamente com os diretores - houve mais de um - produtor e roteirista, forma uma espécie de mosaico que beira à perfeição.O longa é ambientado no início da Guerra da Secessão (1861-1865) e aborda a vida de Gerald O'Hara um imigrante irlandês que fez fortuna e vive em sua mansão,Tara, na Georgia, região sul dos EUA, junto com sua filha adolescente a explosiva Scarlett O'Hara (Vivien Leigh). Scarlett nutre uma paixão crônica e doentia por Ashley Wilkes (Leslie Howard) filho mais velho do patriarca e fazendeiro do rancho Twelve Oaks, John Wilkes (Howard C. Hickman). Porém, fica sabendo através de seu pai que Ashley está comprometido. Mais tarde numa conversa com o próprio Ashley, dentro da biblioteca, Scarlett fica sabendo que o homem que ama, esta de casamento marcado com sua própria prima, Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Desesperada e com o orgulho ferido, Scarlett aceita o pedido de casamento de um insistente Charles Hamilton (Rand Brooks), mesmo sabendo que não sente absolutamente nada por ele. Em meio a um verdadeiro redemoinho de paixões, mágoas e ressentimentos, somados ao início da Guerra da Secessão, surge o indefectível Rhett Buttler (Clark Gable) um espertalhão que diante da guerra, não toma partido para nenhum lado. Na verdade, Rhett é um misto de aventureiro, mulherengo, cínico e mau-caráter que mantém sem muito esforço, correndo em suas veias, muito humor, além de doses generosas de testosterona.

O clássico tem cenas inesquecíveis como a do fantástico incêndio que torra inclemente a cidade de Atlanta, facilitando com isso à invasão dos Ianques do norte e levando os Confederados e escravocratas sulistas ao desespero. Destaque também para a trilha sonora de acordes celestiais assinada por Max Steiner. A música, derrete como fogo de maçarico os corações humanos mais duros. Mas a estrela do grande épico é a espevitada Scarlett O'Hara; papel que "caiu" no colo de uma inglesinha, nascida na Índia, de nome, Vivian Mary Hartley ou simplesmente Vivien Leigh. A excepcional atriz - que doze anos mais tarde brilharia junto com Marlon Brando no clássico "Uma Rua Chamada Pecado" (1951) - disputou de forma incançavel a concorrida vaga para o papel de Scarlett O'Hara com gente não menos ilustre como: Katharine Hepburn, Bette Davis e Lana Turner. A disputa foi tão acirrada que Vivien só conseguiu a vaga quando as filmagens já haviam começado. Vivien foi uma escolha pessoal do todo poderoso produtor David Selznick e brilhou intensamente na pele de uma Scarlett O' Hara exuberante, histriônica, mimada e convincente. Outro destaque fica por conta de Clark Gable, que aqui vive seu personagem mais famoso (Rhett Butler). Na verdade, a primeira escolha para viver Rhett recaiu sobre Errol Flynn, que era um desejo pessoal do produtor David O Selznick. Mas diante da negativa da Warner Brothers em liberar Flynn e de um pedido pessoal de Carole Lombard - que era esposa de Gable e amiga pessoal de Selznick - Gable, finalmente foi o escolhido. Reza a lenda que Clark relutou muito em aceitar o famoso papel, já que estava com 38 anos e não queria encarnar nas telas um sujeito malandro e conquistador de uma adolescente. Outra maravilha do filme fica por conta da fotografia em Technicolor da dupla Ernest Haller e Ray Rennahan, que, além de representar uma revolução para a época, hipnotizou as platéias de todo o mundo.


Algumas curiosidades completam o círculo em torno da lenda: Apesar da direção ter sido creditada exclusivamente a Victor Fleming, ele dirigiu apenas 45% do filme, com o restante cabendo a George Cukor, Sam Wood, William Cameron Menzies e Sidney Franklin, todos não-creditados. O épico, custou ao produtor David O.Selznick, a bagatela de 4 milhões de dólares, um investimento considerado absurdo para a época. No entanto o mega clássico deu a resposta e faturou estratosféricos 200 milhões de dólares; cravando assim um dos maiores lucros da história de Hollywood. Só que os números superlativos não param por aí: o filme que teve 13 indicações ao Oscar, arrebanhou 10 estatuetas. Entre as principais estão: (melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor montagem, melhor atriz coadjuvante e direção de arte) Consumiu ainda três longos anos de filmagens. Sem dúvida -, ...E o Vento Levou, é um marco da sétima arte e um dos maiores tesouros da história do cinema americano.

... E O Vento Levou (Gone with the Wind, EUA, 1939) Direção: Victor Fleming / Roteiro: Sidney Howard baseado na novela de Margaret Mitchell / Elenco: Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, George Reeves / Sinopse: As paixões, lutas e glórias de uma família americana durante os terríveis anos da Guerra Civil.

Telmo Vilela Jr.

7 comentários:

  1. Sem dúvida nenhuma um dos grandes clássicos , a atuação de Vivien é magnífica !!! nada como os grandes clássicos !!!

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    1. Andy Antunes, obrigado pela participação. Realmente, nos dias atuais, não se fazem mais filmes como ...E o Vento Levou.Vivemos uma espécie de saudosismo cinematográfico. A sétima arte no que diz respeito aos grandes clássicos e grandes épicos, praticamente acabou. Abraços... Telmo Vilela Jr.

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  2. Assim como a Scarlett é um pequeno demônio,a Melanie, da Olivia de Havilland, é a propria face da bondade neste filme. Sempre me lembro disso.

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    1. Serge Renine, obrigado pela participação. Muito boa a sua observação. Realmente existe um reflexo maniqueísta no tocante as duas personagens. Seria o eterno embate entre "céu e inferno". Abração...

      Telmo Vilela Jr.

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  3. Um filme único, com atuações fortíssimas e, embora ingênuo em algumas partes, bastante relevante como obra. Permanece como um dos pontos altos do cinema.

    Scarlett O'Hara é, sem dúvida, uma das personagens mais fortes da história cinematográfica. Ótima observação do Serge acerca do contraste com Melanie.

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    1. Marcos Keld, obrigado pela participação.
      Realmente, as atuações marcantes dos personagens, representam um dos pilares deste clássico eterno. As cenas com ares de ingenuidade, eu ponho na conta de um filme de 1939 - nunca podemos esquecer que o mundo - mas principalmente o cinema - era outro. E Scarlett O´Hara, sem dúvida, é o grande baluarte do filme, e quem sabe da história de Hollywood. Vivien era genial e sua Scarlett, revestida de drama, exasperação e um certo doce mistério - é hoje um dos símbolos imaculados da sétima arte.
      Abraços...
      Telmo Vilela Jr.

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  4. Avaliação:
    Direção: ★★★★★
    Elenco: ★★★★★
    Produção: ★★★★★
    Roteiro: ★★★★★
    Cotação Geral: ★★★★★
    Nota Geral: 9.8

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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