segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Rei dos Reis

No brutal e desumano reinado de Augusto César (63 a.C. - 14 d.C) nasce uma criança na distante província romana da Judéia chamado Jesus. Sua mãe Maria e seu pai José partem então para o Egito para fugir das perseguições do tirano rei Herodes que temendo o nascimento de um Messias resolve matar todas as crianças nascidas em Belém. De volta à Nazaré o jovem Jesus cresce ao lado dos pais exercendo a profissão de carpinteiro. Já adulto resolve partir para cumprir sua missão, a de levar o evangelho (a boa nova) aos homens de bom coração. Sua mensagem repleta de paz, amor e fraternidade logo começa a incomodar as autoridades religiosas e políticas. Preso e torturado é enfim crucificado nos arredores da cidade santa de Jerusalém onde morre em agonia na cruz romana. Sepultado, volta do mundo dos mortos, ressuscitando. Glorioso, volta para mostrar aos seus apóstolos que realmente era o filho de Deus! A história de Jesus de Nazaré é certamente a mais conhecida do mundo ocidental. Em torno de seu nome foi criada a religião mais popular e abrangente do planeta com seguidores em todos os países e nações da terra. Trazer a trajetória de Jesus para as telas certamente nunca foi uma tarefa fácil em razão da complexidade de se lidar com uma figura venerada por bilhões de pessoas ao redor do mundo.

Assim no começo da década de 1960 o produtor Samuel Bronston resolveu reunir uma grande equipe para trazer de volta o Nazareno aos cinemas. Com locações na Espanha, roteiro do aclamado Ray Bradbury (não creditado) e Philip Yordan, trilha sonora marcante assinada por Miklos Rosza, direção do sempre talentoso Nicholas Ray (de “Juventude Transviada” com James Dean) e elenco formado por grandes nomes do cinema da época tentou-se criar o épico definitivo sobre a vida de Jesus e sua mensagem. O resultado é realmente de alto nível embora também tenha alguns problemas pontuais. O texto tenta em quase três horas de duração trazer a essência sobre Jesus Cristo mas comete algumas falhas, inclusive omissões descabidas. Há fatos importantes da biografia de Jesus que são completamente ignorados. Uma deles é a revolta que o Messias teria tido no templo ao ver a casa de Deus se transformando num mercado e balcão de negócios. O espaço dado a Herodes, Salomé e a corte do Rei também soam exagerados. Barrabás também surge com espaço excessivo dentro da trama. Teria sido melhor focar mais na palavra de Cristo, nas passagens importantes que deixou aos seus seguidores. Mesmo assim, com omissões e erros históricos, não há como negar que “O Rei dos Reis” é realmente um grande espetáculo, um épico daqueles que apenas Hollywood pôde proporcionar ao grande público. O bom gosto, a elegância e a produção luxuosa garantem o espetáculo. Não deixe de assistir. 
 

O Rei dos Reis (King of Kings, EUA, 1961) Direção: Nicholas Ray / Roteiro: Philip Yordan / Elenco: Jeffrey Hunter, Siobhan McKenna, Hurd Hatfield, Rita Gam, Robert Ryan, Frank Thring, Rip Torn, Brigid Bazlen, Ron Randell, Carmen Sevilla / Sinopse: O filme narra a história de Jesus de Nazaré, homem humilde nascido na província romana da Judéia que revolucionou o mundo com sua mensagem de paz, amor e fraternidade entre os homens, surgindo de sua palavra a religião denominada Cristianismo, a mais popular e abrangente do planeta com mais de um bilhão de seguidores. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Trilha Sonora Original.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

11 comentários:

  1. Pablo:

    Ressalto apenas um detalhe importante; no seu comentário você diz:"No brutal e desumano reinado de Augusto César".
    Realmente Cristo nasceu no governo de Augustus, porem ele não era brutal de forma alguma, na verdade foi o Cesar mais maleável, considerando as circunstâncias e a época, haja visto que ganhou o título de AUGUSTUS, que quer dizer Homem Santo. O Cesar que o sucedeu, que era o Tiberius, esse sim era um guerreiro mas também quando se tornou Cesar havia se tornando um artista recluso e foi obrigado a ser tornar Cesar e já não era tão brutal.

    O Cesar que sucedeu o Tibério, que era o Calígula esse sim era um Cesar brutal, e louco, mas ai Cristo já havia sido morto.

    Em Roma Cristo era visto como um profeta anódino numa "colônia" distante e Tibério que era o Cesar na época do seu assassinato não teve nenhuma participação ativa no caso, até pelo fato da Judéia ser um local de importância reduzida no Império Romano, seria como hoje Paraguai para os Estados Unidos.

    Cristo foi morto pelos locais:, pelos rabinos judeus (Caifás), pelo povo (lembra da libertação do Barrabáz?) e pelo Pilatos, que lavou suas mãos para não se comprometer.

    Foi o fim do homem bom e o inicio da maior religião do planeta.

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  2. Serge em relação ao Augusto César vou discordar de você. Era um imperador de atos brutais sim. Além de ter matado vários senadores que queriam a volta da República ainda cometeu um ato de extrema crueldade ao matar o filho de Cesar e Cleopatra, um garotinho apenas e que era aliás parente dele. Tambem foi responsavel por genocidios contra tribos barbaras na Germania (onde mulheres e crianças foram mortas em série). Outra fato foi que martirizou sua propria filha ao forçar seu casamento com seu general preferido, um homem muito mais velho e brutalizado. Depois que ele morreu a filha de Augusto se depravou completamente fazendo orgias em lugares considerados sagrados em Roma. Como retaliação Augusto a exilou em uma ilha distante e miseravel onde ela lá morreu completamente miseravel e abandonada. Tiberio, seu filho adotivo (era filho natural de sua esposa) não foi melhor. Era pedofilo e dado a orgias com crianças em seu palacio. Chamava os garotos de "peixinhos" e era um completo depravado também. Claudio, Caligula e Nero dispensam apresentações, era violentos e malucos. Enfim, nessa dinastia nenhum imperador se salvou - todos tinham grandes crimes em suas vidas. Foi uma era brutal. Curioso que Cristo surge justamente nesse momento terrivel na historia da humanidade. Abraços , Pablo Aluísio.

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  3. Pablo:

    Tudo o que você descreve sobre os atos violentos destes Césares sobre os quais discorremos é a mais pura verdade, mas esses atos parecem selvageria no contexto atual, no contexto da época, se compararmos com outros déspotas, como Átila, por exemplo, esses imperadores eram mais que piedosos.

    Como exemplo, já que você citou pedofilia, o Augusto, que na verdade se chamava Otaviano, foi estuprado pelo Marco Antonio num acampamento de batalha quando ainda era adolescente e não se sabia se ele era na realidade, sobrinho-neto, filho, ou amante do Júlio Cesar. Isso é relatado em livros de história dentro de uma certa normalidade devido ao época em que se passou. O próprio Julio Cesar, um dos maiores guerreiros de todos os tempos, foi assassinado covardemente dentro do senado, desarmado, comprovando a fé que ele tinha neste templo da retórica e que achava improvávelque tal ato violento ocorreria neste local. A Cleópatra, que teve seu filho morto pelo Augusto, ainda na adolescência, havia feito um acordo com o Júlio Cesar para matar o próprio irmão para lhe usurpar o trono, e o fez.

    Eu sei que todos esses imperadores vistos nos dias de hoje, mesmo quando achamos que nossos dias são tão violentos, parecem demônios, mas, insisto, eram outros tempos e nestes tempos o Augusto, o Tibério, ou a Cleópatra, não eram os piores.

    Agora, o Calígula, o Nero, ou Cesar Borgia, por exemplo, estes sim, entraram para a história devido ao espectro das suas maldades. Até os seus pares achavam que eles passavam dos limites.

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  4. Essa fama de bom imperador do Augusto veio basicamente da chamada Pax Romana, quando o Império ficou em relativa paz por muitos anos, mesmo assim seu governo não deixou de ser brutal. Claro que entendo o que você escreveu, colocando tudo dentro de uma perspectiva e contexto históricos mas em nossa visão (atual) não há como qaulificar seu reinado de outra forma. Até o ato de crucificação era um algo de extrema perversidade pelo grau de tortura a que o crucificado era submetido. Enfim, sob o meu ponto de vista Augusto César certamente foi um imperador brutal e sanguinário. Abraços, Pablo Aluísio.

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  5. Pablo:

    A subjetividade das nossas conclusões neste breve debate no post de Rei dos Reis e sendo estas conclusões tão díspares, só serviu para demonstrar para outrem uma coisa: nos dois estudamos com bastante afinco a história da Roma antiga.

    Grande abraço meu amigo!

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  6. Certamente Serge.
    Eu pessoalmente gosto muito de história - em especial da antiguidade. Se formos parar para pensar, independente da fé de cada um, é realmente incrível que uma pessoa que nasceu tão humilde, em um lugar tão distante, tenha se tornado tão importante na história da humanidade. A vida de Jesus é realmente incrível, sob qualquer ponto de vista que se adote. Abraços, Pablo Aluísio.

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    1. Pablo:
      Os pensadores da Grécia, com sua filosofia criaram tudo que existe hoje, desde as Polis, os tribunais de justiça, os dogmas políticos, etc.
      Depois destes, o único pensador que realmente influenciou humanidade profundamente foi Jesus Cristo e influenciou justamente no plano humanista, na melhor definição do que é ser humanista. Pena que isso já faz mais de 2000 anos e acho estamos precisando de mais filósofos do calibre de Jesus.

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  7. Jesus, "o verbo divino encarnado" ou o "Avatar da Era de Peixes"; não foi um simples filósofo ou pensador. Jesus foi a fagulha divina que surgiu entre nós com o propósito de nos salvar e restaurar as Eras subsequentes ao seu nascimento. O ciclo reencarnatório e o nosso próprio futuro, estavam condenados. Jesus (o Avatar do perdão) nos salvou, permitindo assim o recomeço de novas Eras e novas reencarnações. A esssa missão do mestre dá-se o nome de: "a missão hermética da cruz pisciana". Sua palavra é uma marca indelével que jamais se apagará ou será esquecida. É por isso que, mesmo dois mil anos depois, ela continua absolutamente atual e transformando muitas pessoas e muitas vidas. É a própria palavra de Deus e não a de um pensador qualquer.

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  8. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.8

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  9. O filme é maravilhoso, obrigada pelo post e parabéns pelo grande conhecimento de história, Pablo Aluísio. Passear em seu blog é fascinante pelas informações nele contidas. Para quem ama cinema é indispensável. Grande abraço!

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  10. Obrigado Marlene,
    É sempre muito gratificante receber esse retorno positivo por parte dos leitores do blog, afinal de contas é pensando em pessoas como você que nos faz seguir em frente com nossos textos. Grande abraço, Pablo Aluísio.

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