domingo, 19 de maio de 2013

Os Gays de Hollywood

Um dos livros mais polêmicos lançados ultimamente nos EUA se chama “Full Service: My Adventures in Hollywood and the Secret Sex Lives of the Stars” (Serviço Completo: Minhas Aventuras em Hollywood e o Segredo das Vidas Sexuais das Estrelas). Escrito por Scotty Bowers e Lionel Friedberg. O motivo de tanto alarde é até fácil de explicar. Em pouco mais de 260 páginas o autor expõe como poucas vezes já foi visto a vida sexual de diversos mitos da história de Hollywood. Ele afirma ter circulado entre a nobreza da classe artística do cinema americano nas décadas de 40, 50 e 60. Conheceu de perto as preferências sexuais de muitos astros. Curiosamente ele nunca se declara nas páginas de seu livro como um profissional do sexo, afinal prostituição nos EUA é crime, principalmente para quem desempenha a função de “agenciador” de encontros sexuais. Ao ler seus relatos porém a única conclusão que o leitor tem é a de que Bowers era exatamente isso, uma pessoa a quem os grandes astros recorriam para arranjar uma transa rápida, sem conseqüências.

Em suas estórias poucos astros se salvam. A lista é longa: Errol Flynn, Cary Grant, Marlon Brando, Charles Laughton, Montgomery Clift, Katharine Hepburn, Spencer Tracy, Tyrone Power, Rita Hayworth, Mae West, Laurence Olivier, Vincent Price, Randolph Scott, Sal Mineo, Judy Garland e muitos outros. Bowers que está com 88 anos diz que não queria levar todas essas picantes estórias que viveu para o túmulo e por isso agora. no final da vida, resolveu contar tudo, afinal a grande maioria dos astros já estão mortos. Alguns relatos são de primeira pessoa onde o autor afirma que vivenciou tudo, outros porém ele deixa claro que conhece apenas por “ouvir dizer”, até porque seria simplesmente impossível alguém ser próximo de tantos atores e atrizes ao mesmo tempo. Para gozar da intimidade da vida privada de tanta gente Bowers teria que ser simplesmente o mais bem relacionado membro da comunidade em Hollywood naqueles anos e até mesmo ele sabe que ninguém acreditaria em tal coisa.

Do que afirma ter vivenciado realmente, um dos casos mais interessantes e chamativos é o que envolve a atriz Katharine Hepburn. Uma das profissionais mais premiadas da história, ela chamava a atenção por nunca ter se casado. Na boca miúda se dizia que tinha um caso escondido com Spencer Tracy, que era casado. Para Bowers tudo não passava de uma farsa. Ele afirma que Hepburn era lésbica e... voraz. Em seu texto o autor diz ter enviado a ela ao longo de vários anos mais de cem mulheres. O suposto romance proibido com Spencer Tracy era assim apenas uma desculpa para encobrir também a homossexualidade do veterano ator. Hepburn se vestia como homem, com ternos de longas ombreiras e não gostava da companhia de outras mulheres como amigas. Bowers vai mais longe e diz que ela tinha uma pele ruim e péssimos hábitos de higiene. Outro que não escapa das revelações de Bowers é o galã Tyrone Power. Embora gostasse também de mulheres (teve vários relacionamentos ao longo da vida com elas) Bowers diz que ele tinha mesmo era uma uma queda especial por jovens latinos, bem apessoados. Chegou a flertar com Rock Hudson mas nunca tiveram um caso amoroso.

Por falar em Rock Hudson ele ocupa várias páginas do livro de Bowers. Esse era outro astro com grande apetite sexual. Geralmente dava festas só para rapazes em sua grande mansão nas colinas de Hollywood. Enchia a piscina de jovens aspirantes dispostos a tudo para ganhar um papel em algum de seus filmes. Seu fraco era por jovens loiros e altos, de preferência bronzeados de praia. Se tivessem bigode então cairiam no tipo perfeito na preferência de Hudson. Gostava de brincar dizendo que nem sabia o nome dos amantes, geralmente chamando os loiros de “Bruce” e os morenos de “Carl”. No fim da tarde todos iam para sua sauna particular onde aconteciam grandes orgias gays. Assim que se tornou o astro número 1 em popularidade em Hollywood o estúdio apressou-se em lhe casar com uma secretária de seu agente para encobrir sua homossexualidade, uma vez que sua fama de o “homem preferido da América” valia milhões de dólares.  A coisa não deu certo e Rock se separou em pouco tempo voltando para sua rotina de devassidão sexual.

Os grandes atores também não escapam. Montgomery Clift seria um gay enrustido e esnobe. James Dean um bissexual porcalhão que tinha problemas com doenças venéreas. Brando um sujeito confuso que gostava de tratar as mulheres como objeto enquanto se apaixonava por homens mais velhos. Nem o mito dos filmes de terror Vincent Price escapa. Para Bowers ele era um gay metido a grã fino que colecionava obras de artes e encontros homossexuais furtivos. Já Randolph Scott e Cary Grant formariam um dos casais gays mais famosos de Hollywood segundo Bowers. Morando juntos e promovendo grandes orgias em sua mansão discreta e luxuosa nos arredores de Beverly Hills. No tocante a esse suposto romance encontramos vários problemas. Grant sabia que era alvo de fofocas há muito tempo e no final da vida processou um humorista que fez uma piada na TV sobre sua suposta sexualidade. Ele teve inúmeros casos amorosos com atrizes famosas e se casou várias vezes. Recentemente sua filha lançou um livro negando que seu pai era gay. Outro que saiu em defesa do pai foi o filho de Randolph Scott, Christopher, que também nega veemente em suas memórias que o eterno cowboy do cinema fosse gay. Scott foi casado muitos anos com a mesma mulher e tudo leva a crer que nada de fato aconteceu, apenas amizade no começo de carreira de ambos.

Hollywood se orgulhava de ser livre de preconceitos, cosmopolita e avançada. Mesmo quando alguma história de homossexualidade se tornava notória dentro da comunidade muito raramente chegava na imprensa sensacionalista. Não havia dentro dos estúdios uma penalização ou punição apenas pelo fato do ator ou atriz serem gays, apenas tinha-se um certo cuidado para que sua vida privada não chegasse ao público, prejudicanto sua popularidade. Por isso arranjou-se um casamento para Rock Hudson. Dentro da Universal todos sabiam que ele era gay mas nada era dito sobre isso fora dos portões do grande estúdio. O grande cineasta George Cukor também é alvo nas páginas de Bowers mas parece ser um caso isolado. O fato porém é que nem todo mundo era gay em Hollywood, nem mesmo na mente de Bowers. Escapam de sua escrita atores que eram obviamente heterossexuais naqueles dias como Paul Newman, Tony Curtis, Charlton Heston, Elvis Presley, Steve McQueen, John Wayne (imaginem o duke gay?! Sem a menor possibilidade!), entre outros.

Depois de ler o livro de Bowers o leitor mais atento vai descobrir que existem muitos furos em seus relatos. Algumas datas não batem ou certas situações soam forçadas. Ele provavelmente teve algum contato com alguns artistas famosos mas será que tudo o que afirma é de fato verdade? O tom sensacionalista incomoda em muitos trechos e o leitor nunca deve deixar seu senso crítico de lado. Todas as grandes revelações envolvem astros que já morreram (e não podem mais se defender, é claro), por isso a leitura, embora interessante para quem gosta de cinema da era de ouro, deve ser feita com certas reservas. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

15 comentários:

  1. Pablo:

    Eu não sei se você se lembra, ou se já viu, mas no filme a Gaiola da Loucas o Robin Willians está treinado seu pareceiro este andar como um machão e ele manda esse parceiro andar como o John Wayne; cara, é impagável e da o que pensar sobre o John Wayne não ser gay. Na hora que o pareceiro anda o Robin Willians ainda comenta jocosamente: "sabe que eu não havia percebido que o John Wayne andava assim?

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  2. Cena mais do que divertida aliás. No fundo uma brincadeira com um dos símbolos máximos do machão americano. John Wayne era republicano, conservador e cowboy. Até onde sei sua reputação de heterossexual se mantém firme pois até hoje desconheço qualquer livro colocando isso em dúvida. Nem esse autor de Full Service ousou afirmar algo contrário. O Duke segue sendo hetero. rs. Abraços Pablo Aluísio.

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    1. Pablo:

      Realmente o John Wayne gay é dificil de aceitar, mas na verdade apesar dos inumeros papéis de cowboy que ele fez no cinema, ele odiava roupas de cowboy, só usava ternos, e detestava cavalos.

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  3. ótimo texto, pablo. fiquei curioso. cumprimentos cinéfilos.

    O Falcão Maltês

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  4. Obrigado Nahud.
    Muito bom ver você aqui em nosso blog novamente.
    Sua visita é sempre muito bem-vinda.
    Abraços, Pablo Aluísio.

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  5. Serge,
    O John Wayne tinha uma queda por mulheres latinas. Praticamente todas as suas esposas eram de origem hispânica. Apesar dos personagens que interpretou nas telas era na realidade uma pessoa tímida, até insegura em suas atuações. Mas também sabia ser divertido e irônico. Ele se comparou a um velho cavalo largado no pasto no final de sua carreira durante uma de suas últimas entrevistas Penso que ele tinha um carinho aos animais que o ajudaram tanto em sua carreira. Abraços, Pablo Aluísio.

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  6. Prezados leitores,
    Queria aproveitar também para esclarecer uma coisa. Esse texto criou uma certa polêmica no Facebook onde foi postado hoje. Pois bem, os supostos fatos narrados no texto são apenas transcrições do que está no livro. O nosso artigo é uma abordagem do que o autor escreveu e não reflete necessariamente a opinião de nosso blog. Até deixamos isso claro no próprio texto ao escrevermos que o livro deveria ser lido com certas reservas, sem deixar o senso crítico de lado. Como o livro foi publicado nos EUA apenas comentamos sobre ele aqui no blog, afinal esse espaço também é de informação. Cabe a cada leitor tirar sua própria conclusão, se acredita ou não nesse autor. Não estamos expondo o que ele disse como uma verdade absoluta do que de fato aconteceu.

    Abraços, Pablo Aluísio.

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  7. Faltou mencionar Burt Lancaster, Jack Palance, Cesar Romero, Anthony Perkins, Greta Garbo. Gostaria que os autores Scotty Bowers e Lionel Friedberg, tivessem escrito um livro sobre as nossas cantoras da MPB. Não precisavam nem pesquisar.

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  8. Dos que você citou ainda tenho dúvidas em relação a Lancaster e Palance. Perkins tinha uma alma torturada, talvez por causa de seu homossexualismo (na época a intolerância e o preconceito eram bem mais atuantes). Já Greta, bom, ela transformou sua vida reclusa em um mistério completo. Alguns dizem que sim, era lésbica, já outros admitem que a questão não seria tão simples. Enfim, há muito o que ainda por descobrir.

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  9. Segundo Dulce Damasceno de Brito, Jack Palance e Mel Ferrer eram gays escancarados. Ela morou em Hollywood, conviveu com toda essa rapaziada e faz esse relato no seu livro "Hollywood Nua e Crua." Diz também que Burt Lancaster era bissexual. Claro que não podemos confirmar essas notícias por que se trata de pessoas muito distantes, a menos que o próprio artista assim se defina.

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  10. Muito interessante sua informação Bira.
    Um ótimo complemento ao texto em si.
    Obrigado.

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  11. Excelente seu texto. Pegando carona no comentário de Bira Menezes, já li que Dulce Damasceno de Brito achava Burt Lancaster muito "delicado" pessoalmente. Katharine Hepburn chegou a se casar em 1928 com Ludlow Ogden Smith, de quem se separou em 1934 e divorciou em 1941.

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  12. Obrigado Eraldo. Realmente os boatos sobre Burt Lancaster sempre surgem de tempos em tempos. Pessoalmente eu não acredito muito, porém parece mesmo haver um fundo de verdade em tudo isso. Grande abraço e obrigado por visitar o blog.

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  13. Bem. O que eu sei sobre Burt Lancaster é que ele era ateu. Agora, o fato dele ser "delicado" não define orientação de ninguém. Quer dizer que para ser hétero tem que ser indelicado ?? Não entendi.

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  14. hudson com aquele bigodão, poxa, enganou legal..."ninho de vespas", continua meu ídolo

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