segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Sangue Frio

Baseado no incrível livro homônimo de Truman Capote, o filme, conta a história verídica de um crime bárbaro ocorrido em Holcomb no Kansas no ano de 1959. Dois amigos - Perry Smith (Robert Blake) e Richard "Dick" Hickock (Scott Wilson) - encontram-se depois de vários anos em que estiveram presos. Juntos, os dois presidiários - que estão em liberdade condicional - saem a procura de uma fazenda onde existe um suposto cofre com muito dinheiro. Para isto os dois lunáticos terão que atravessar angustiantes 700 quilômetros dentro de uma carro para realizar o sonho macabro. O preto e branco lúgubre confere ao longa um ar depressivo, pesado e sorumbático. Os dois amigos carregam cicatrizes indeléveis, não só no corpo, mas principalmente na mente e na alma. A medida em que o filme se desenrola essas cicatrizes vão se abrindo e revelando o pior de cada um.

Os seus traumas, os seus complexos e uma imensa revolta - que no meio do filme parece maquiada - mas depois revela-se deletéria e monstruosa. Este rosário de complexos só vem por completo à tona, após o massacre - os detalhes do crime ninguém vê pois o diretor Richard Brooks não mostra. Brooks no entanto, deixa como surpresa um dos maiores epílogos de todos os tempos em se tratando de cinema americano. Mostrado em flashback o terço final rompe com um quase marasmo da primeira parte, mostrando, em detalhes, todo o massacre da família Clutter, ao mesmo tempo em que revela a verdadeira alma demoníaca de cada um dos assassinos. Uma sequencia que ascende numa espiral inorgânica e aterradora. O corte final revela-se uma encruzilhada de sentimentos que mistura: resignação, tristeza e perturbação. Desembocando numa excruciante e emocionante execução. Um filme realmente arrebatador e rigorosamente digno de um ótimo diretor. Filmaço. Nota 10.


A Sangue Frio (In Cold Blood, EUA, 1967) Direção de Richard Brooks / Elenco: Robert Blake, Scott Wilson, John Forsythe / Sinopse: A Sangue Frio é inspirado na história verdadeira e terrível de um crime sem piedade cometido por dois ex presidiários que vagam à deriva pelo meio oeste americano. Baseado no romance best-seller de Truman Capote.

Telmo Vilela Jr.

5 comentários:

  1. Eu me lembro do Robert Blake num seriado da década de 1970, Bareta. Eu lembro que era um cara musculoso de camiseta, meio baixo, atarracado, que morava com uma Cacatua; vi muitos episódios. Parece que ele matou a sua esposa há alguns anos atrás. Não sabia que ele tinha feito um filme tão bom.

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  2. Isso mesmo Serge. Sujeito baixinho, invocado, o Blake era perfeito para esse tipo de papel. Ele foi acusado de matar a esposa em um desfecho lamentável para sua carreira. A vida imita a arte. Pablo Aluísio.

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  3. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.2

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  4. Para 1967 é uma trama e tanto heim? Richard Brooks devia ser um homem que pensava "fora da caixa". Texto bem técnico e com palavras rebuscadas. Com certeza trata-se de um clássico de respeito.

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  5. Um filme bem a frente de seu tempo. A história é cruel, baseada em um crime horrendo. Isso só ajudou ainda mais ao resultado final. Considero um pequeno clássico. Excelente e enervante.

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