terça-feira, 17 de setembro de 2013

Hollywood vai à guerra!

Quando os EUA finalmente decidiram entrar na II Guerra Mundial, após o covarde ataque em Pearl Harbor, no Havaí, muitos atores americanos atenderam ao chamado da pátria. Para grandes nomes do cinema o exército americano dava a opção de serviço militar visando apenas o entretenimento das tropas no front mas nem todos os artistas da época aceitaram esse papel secundário. Eles queriam mesmo combater, ir para o campo de batalha e fazer sua parte em nome de seu país. Um dos maiores exemplos de patriotismo veio de James Stewart. Criado no interior, com fortes valores cívicos, Stewart resolveu se apresentar nas forças armadas como um cidadão comum, desprovido de qualque privilégio. Para tanto acabou entrando nas fileiras de sua tropa como um simples soldado raso. Depois, aos poucos, foi subindo dentro da hierarquia militar. Sua boa postura acabou elevando o ator a uma posição de destaque. Stewart participou de muitas operações e viu de perto os horrores da guerra. Quando deu baixa recebeu a honrosa patente de Coronel.

Outro que também entrou de cabeça no conflito foi o mito Clark Gable. Ele foi logo designado como piloto de bombardeiros americanos que iam até a Alemanha de Hitler para despejar toneladas de bombas nas grandes cidades do eixo. Essa verdadeira guerra de propaganda acabou enervando Hitler que resolveu até mesmo dar uma recompensa para quem conseguisse abater o avião de Gable que apesar disso conseguiu terminar a guerra ileso de qualquer ferimentos. Infelizmente sua esposa, Carole Lombard, não teve a mesma sorte pois morreu quando o avião que a levava se chocou contra uma montanha. Clark Gable ficou tão devastado com essa tragédia que passou a pedir mais e mais missões perigosas, para muitos um retrato de que havia perdido o gosto pela vida. Mesmo assim, agindo muitas vezes com imprudência, conseguiu chegar são e salvo ao final da guerra. 

Os diretores também entraram no esforço de guerra. Um dos mais famosos, John Ford, logo entrou no campo de documentação e filmagem do exército americano, participando dos registros de várias operações famosas, inclusive do Dia D, quando os países aliados finalmente invadiram a França ocupada por tropas nazistas. John Wayne já não tinha idade suficiente para prestar o serviço militar mas participou da guerra vendendo bônus e fazendo publicidade das tropas americanas, em um vasto trabalho para levantar a moral dos soldados americanos.

Se atores famosos foram para a guerra para se tornarem combatentes comuns o inverso também se deu. Audie Murphy foi o soldado mais condecorado da guerra. Salvou companheiros de pelotão e realizou missões de alta periculosidade. Mesmo assim também sobreviveu à guerra e após retornar aos EUA começou uma bem sucedida carreira de ator em filmes de faroeste. Infelizmente Murphy trouxe também inúmeros traumas do conflito, tanto que anos depois numa crise suicida tiraria sua própria vida com um tiro na cabeça.

Já o chamado trio rebelde de Hollywood conseguiu escapar da guerra. Marlon Brando não conseguiu ser habilitado para o serviço militar por ter o joelho destroçado em seus anos como jogador de futebol americano no colégio militar onde estudou. Jovem e na idade certa para servir à guerra Brando foi dispensado e ficou em Nova Iorque para dar inicio a uma das carreiras mais marcantes da história do cinema. Outro que escapou do front foi o rebelde James Dean. Até hoje pairam dúvidas sobre a razão da dispensa de Dean das forças armadas mas em biografias recentes o mistério foi desvendado. James Dean abriu o jogo para o agente de convocação e disse que era gay e que morava com um homem em um apartamento de Nova Iorque. A guerra já havia acabado e ele se viu livre do serviço militar. Diante de sua opção declarada logo foi descartado pelo exército americano.

Outro que escapou foi Montgomery Clift. Ele odiava guerras, era um pacifista de coração, mas isso por si não seria motivo para ser dispensado do serviço militar. Ele se apresentou nas fileiras e seguiu todos os procedimentos de alistamento. O que afinal salvou Clift da guerra foi seu corpo franzino e frágil, que foi considerado inadequado para o corpo de fuzileiros navais. Isso aliás não deixou de ser uma grande ironia pois anos mais tarde Clift faria dois grandes clássicos dos filmes de guerra, "A Um Passo da Eternidade" e "Os Deuses Vencidos" mostrando que nem sempre a vida realmente imitava a arte. Afinal se não foi um militar na vida real se tornou um excelente soldado das telas.

Pablo Aluísio.

Um comentário: