segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Peter O'Toole

Foi com grande pesar que recebemos a notícia da morte do mito Peter O'Toole, até hoje considerado um dos grandes atores da história do cinema. Ator teatral se rendeu à TV ainda na década de 50 onde participou de três telefilmes que hoje em dia são considerados verdadeiras raridades. Só em 1960 estreou no mundo do cinema. Aos 28 anos surgiu como Robin MacGregor em "A Espada de um Bravo" uma aventura capa e espada muito colorida da Disney. Embora não tenha sido uma grande participação em um filme menor o estilo pareceu combinar muito bem com o jeito elegante de Peter O'Toole. Em "Sangue Sobre a Neve" (que já comentamos aqui em nosso blog) o ator novamente chamaria a atenção embora seu personagem fosse um mero coadjuvante para o esquimó interpretado por Anthony Quinn. Nos dois anos seguintes a carreira passou por um impasse. Embora reconhecido como um bom ator as coisas pareciam meio paradas para ele, tanto que retornou para a TV onde apareceu na série "Rendezvous".

A sorte só mudaria definitivamente quando o diretor David Lean o escolheu para ser T.E. Lawrence no grande clássico "Lawrence da Arábia". O papel seria de Marlon Brando mas ele desistiu ao descobrir que as filmagens no deserto seriam longas e exaustivas. Peter O'Toole até aquele momento não era um astro mas o diretor Lean confiou que ele faria um grande trabalho. Acertou em cheio. Essa foi a interpretação da vida do ator que, com o sucesso espetacular do filme, virou um astro de primeira grandeza praticamente da noite para o dia. Sua formação de ator clássico caiu como uma luva para seu personagem nesse que foi um dos mais marcantes épicos da história de Hollywood.

Após "Lawrence da Arábia" as portas do cinema americano e mundial se abriram para Peter O'Toole e ele acertou novamente no filme seguinte ao atuar de forma majestosa em "Becket, O Favorito do Rei". No lançamento do filme explicou que estava se sentindo um pouco pressionado pois depois do grande sucesso do épico de David Lean todos estavam ansiosos pela sua próxima atuação. Assim Peter decidiu ficar por longos dois anos fora das telas. O sucesso de crítica de "Becket" acalmou seus ânimos mas não sua vida privada. O ator tinha um sério problema com a bebida. Não raro passava semanas completamente embriagado. Isso, como ele próprio admitiu em sua autobiografia mais tarde, o prejudicaria muito em sua carreira.

Em 1965 voltaria a brilhar numa boa adaptação para o cinema de uma novela de Joseph Conrad chamada "Lord Jim". O roteiro explorava mais um roteiro histórico onde Peter O'Toole interpretava um nobre inglês na marinha britânica no começo do século XX. A boa fase seguiria pelos anos 60 adentro com mais pelo menos dois ótimos filmes, "A Noite dos Generais" (onde interpretava um oficial nazista psicopata) e "O Leão no Inverno" (onde teve a oportunidade de contracenar com outro grande mito da história do cinema, Katharine Hepburn). Sua interpretação do rei Henrique II nesse último filme é até hoje considerada uma das melhores encarnações do famoso monarca no cinema.


Nos anos 70 como ele próprio admitiu seus problemas etílicos lhe prejudicaram. As bebedeiras sem fim afastaram os grandes estúdios que tinham receios de o escalar para grandes e milionárias produções. Peter O'Toole começou a sentir que estava sendo deixado de lado. Mesmo assim ainda realizou bons filmes e alguns até marcantes. "O Homem de la Mancha", "Setembro Negro" e o polêmico "Calígula" onde interpretava o pedófilo imperador Tiberius marcaram época. Na década de 80 tentou enveredar por outros estilos como na comédia "Um Cara Muito Baratinado" ou na fracassada ficção "Supergirl". Nada que abalasse seu prestígio porém era fato que sua estrela começava a se apagar lentamente. Embora respeitado como um dos grandes atores do cinema ele sentia dificuldades em encontrar bons personagens em filmes relevantes. Apesar disso nunca ficou realmente preso ao ostracismo, procurando sempre trabalhar, mesmo em filmes muito abaixo de sua dignidade.

Seu último grande filme foi "O Último Imperador", o grande vencedor do Oscar em seu ano de lançamento. Seu papel de Sir Reginald 'R. J.' Johnston demonstrava que apesar de todos os grandes problemas enfrentados ao longo da vida seu talento ainda continuava lá, intacto. Depois de oito indicações ao Oscar, sem ganhar nenhum, a Academia resolveu lhe homenagear lhe dando um Oscar pelo conjunto da obra. Um reconhecimento tardio mais do que merecido. No total foram 94 películas, sendo a última, "Katherine of Alexandria", ainda inédita nos cinemas. Só nos resta em última homenagem conferir sua última atuação. Que o grande ator agora finalmente descanse em paz!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um comentário: