segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Segredo das Estrelas

Rock Hudson e sua esposa no dia de seu casamento
Em 21 de janeiro de 1958, a esposa de Rock Hudson confrontou o ator, exigindo saber se ele era gay realmente. O casamento ia de mal a pior e a mulher de Rock o havia enviado para um teste com sua psicóloga. O teste de Rorschach revelou que Rock tinha sonhos com borboletas e cobras.

Phyllis explicou o que aquilo significava dentro dos estudos de psicanálise: "Você me disse que viu milhares de borboletas e cobras também" - disse ela - "A terapeuta me disse que as borboletas significa feminilidade e as cobras representavam um pênis masculino. Eu não estou condenando você, mas parece que há tempos você tem escondido esse problema! Esse tipo de sonho significa que você tem tendências homossexuais! Você quer falar sobre isso? É por essa razão que você não se sente à vontade comigo? Por isso nosso sexo é tão rápido? Você é tão rápido assim em suas transas com gays?"

Pressionado Rock confessou: "Bem, há diferenças, é uma questão física. Com homens é diferente, por isso demora mais tempo...".

Irritada, Phyllis Gates quis saber mais: "Todo mundo sabe que você está pegando todos esses jovens na rua. Logo depois que nos casamos isso continuou. Você acha que o fato de você ser casado comigo vai esconder isso do público?"

"Eu nunca peguei nenhum jovem na rua" - insistiu Rock - "Eu nunca fui em bares gays catar ninguém! Apenas dou carona a eles, é diferente!"

Esse diálogo de arrepiar, onde um dos maiores ídolos do cinema confessava para sua própria esposa que era gay não é fruto da imaginação de um escritor. Ele foi gravado por uma figura sinistra, um detetive particular que se tornou muito conhecido das estrelas, Fred Otash. A conversa foi gravada por Otash sob ordens de sua cliente, Phyllis Gates, a esposa de Rock Hudson, que procurava juntar provas contra Rock para usar em um divórcio tumultuado que aconteceria dali alguns meses.

As fitas com as gravações foram recentemente descobertas em uma unidade de armazenamento no Vale de San Fernando. No total foram encontradas 11 caixas que pertenceram ao detetive Otash, muitas delas recheadas de gravações reveladoras envolvendo algumas das maiores estrelas do cinema americano.

Além de Rock Hudson o detetive investigou os segredos da atriz Lana Turner e o escandaloso caso amoroso envolvendo Marilyn Monroe e o Presidente JFK. Otash era um ex-policial afastado do Departamento de Polícia de Los Angeles. Depois que saiu da polícia resolveu abrir seu próprio escritório de detetive particular em Hollywood e se deu muito bem, com vasta clientela de ricos e famosos.

Mike Wallace o chamou de homem "mais amoral" de Los Angeles. Otash não tinha freios morais ou éticos, caso o cliente pagasse ele estava pronto para qualquer coisa. Era uma figura muito conhecida no meio da indústria de cinema. Robert Towne o usou como inspiração quando escreveu seu roteiro premiado com o Oscar de 1974, Chinatown, sobre um detetive particular amoral interpretado por Jack Nicholson. "Ele foi minha principal fonte de inspiração, embora tenha também usado outros investigadores como modelo".

Outro cliente famoso de Otash foi o ator Marlon Brando. O mito de Hollywood tinha mania de se envolver com mulheres desqualificadas que depois o chantageavam em troca de dinheiro. Brando então mandava Otash no encalço delas, para se proteger. Sua ex-esposa Anna Kashfi foi uma das mais problemáticas. Em certa ocasião puxou uma faca contra Brando e seu filho, Christian. Otash veio em socorro.

Como era muito bom no que fazia o detetive também passou a trabalhar para a escandalosa revista "L.A. Confidential". Entre os furos de reportagem que deu para a revista estão uma famosa festa de pijamas gay com o galã Tab Hunter e os nomes de vários jovens rapazes que frequentavam a cama do pianista Liberace. Otash costumava dizer justificando seu trabalho: "Eu trabalho para qualquer um que me pagar, mas não prestarei jamais serviços a comunistas em geral. São asquerosos. Também não aceito encomendas de morte já que sou um detetive e não um assassino profissional".

Para se proteger Otash usava uma pistola alemã no coldre e um caminhão especialmente adaptado com equipamentos de espionagem. Vários donos de estúdio em Hollywood também o contrataram para que ele fosse atrás de astros problemáticos. A MGM o contratou para sondar se o ator Paul Newman era gay. O estúdio tinha interesse em financiar a carreira do jovem ator mas tinha receio de tudo ir por água abaixo caso um caso gay destruísse sua carreira. Otash o seguiu por duas semanas e tranquilizou os chefões do estúdio ao dizer que "Newman estava interessado em garotas, somente, Ela não era gay!".

"Ele era confiável mas indisciplinado", diz John Buntin, autor do livro de 2010 "L.A. Noir" sobre detetives famosos da história de Los Angeles. Já o antigo jornalista e romancista James Ellroy que trabalhou com Otash tem outra visão sobre o investigador: "Ele era um vigarista, um mentiroso. Ele fez um monte de coisas ruins, incluindo revelar detalhes secretos, principalmente de natureza sexual, sobre a vida de pessoas célebres, levando-os a suportar a vergonha pessoal, sofrimento emocional e privação financeira. Destruiu várias carreiras. Ele me disse que JFK era um péssimo amante e suas transas duravam no máximo dois minutos. Sobre Kennedy descobriu ainda várias outras coisas mas resolveu não falar com medo de sofrer algum tipo de retaliação dessa gente".

As fitas certamente trarão várias revelações curiosas sobre o passado dos mitos de Hollywood, que inclusive está preparando um roteiro sobre a vida do detetive particular. Quem diria que um dia Otash sairia do mundo cão de Hollywood diretamente para as marquises de cinema...

Fonte: THR / Tradução: Erick Steve.

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