segunda-feira, 16 de junho de 2014

Brando em New York

Quando Brando foi expulso da escola militar por indisciplina ele resolveu voltar para a casa dos pais. Não demorou muito para que o tempo fechasse sobre ele, até porque seu pai era muito rígido e ver o filho fracassar assim nos estudos era demais para ele. Por essa época a irmã de Brando tentava vencer a duras penas na vida em Nova Iorque como atriz. Brando logo pressentiu que não havia nenhum futuro para ele em Omaha, já que os empregos que existiam para jovens de sua idade eram horríveis, duros e mal remunerados. Assim ele tomou sua decisão. Informou aos seus desiludidos pais que iria para Nova York atrás de sua querida irmã Frannie e que uma vez lá tentaria arranjar algum meio de vida. Na época havia um certo preconceito contra homens atuando, pois era considerado algo em que apenas maricas trabalhavam e por isso Brando ficou calado sobre um sonho que tinha adquirido naqueles últimos dias, pois ele também tentaria seguir a carreira de ator na grande cidade.

Os primeiros dias de Brando foram lembrados por ele em sua autobiografia. Marlon, que era um garoto do meio oeste, obviamente ficou fascinado pela grande metrópole com seus prédios enormes e o grande movimento de pessoas por todos os lados. No começo Brando ficou um pouco inibido pelo gigantismo daquele lugar mas não tardou muito a começar a amar aquela cidade sem fim. Começou trabalhando em empregos eventuais e ao mesmo tempo deu início aos seus estudos de arte dramática. Nesse meio tempo seu pai lhe escreveu para avisar que ele poderia voltar para casa pois a academia militar de Shattuck havia reconsiderado sua expulsão e o aceitaria de volta aos bancos escolares. Brando disse "não"! Ele jamais tencionaria retornar para aquele lugar, afinal ele odiava disciplina militar e estava amando a liberdade que agora desfrutava em Nova Iorque.

Assim que arranjou algum dinheiro Brando comprou uma moto de segunda mão. Com ela poderia ir aos testes de peças de teatro, às aulas de arte dramática ou simplesmente sair pelas ruas e bairros da big apple para passear. Brando adorava a noite e por essa época, não raras vezes, resolvia dormir em qualquer parque bonito que encontrasse pela frente. Como ele bem relembrou em seu livro naqueles tempos não havia violência urbana e ninguém o incomodaria se resolvesse dormir debaixo de uma árvore e tampouco alguém iria tentar roubar sua moto. Para aguentar o frio Brando comprou uma jaqueta negra do mesmo tipo que pilotos de avião usavam. Também começou a colocar jornais dentro do casaco para espantar o frio - um velho truque que aprendera com vagabundos quando certa ocasião se aventurou a atravessar os Estados Unidos em vagões de trem de carga.

Assim a vida lhe parecia sorrir. Ao contrário de sua irmã, Brando não fazia de seu sucesso na carreira de ator uma obsessão. Ele queria vencer, é claro, mas caso nada disso desse certo ele poderia viver com qualquer outro trabalho que estivesse à disposição na cidade. Sua sorte porém mudou rapidamente e Brando começou a ganhar alguns pequenos papéis em peças de teatro off-broadway. O cachê era fraco mas só o fato dele ganhar dinheiro atuando já era uma conquista e tanto. Mal sabia que estava dando inicio a uma das carreiras mais importantes e vitoriosas de todos os tempos. Marlon Brando, o ator, estava nascendo.

Pablo Aluísio.

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