sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Histórias de Rock Hudson - Parte 1

Quando Rock Hudson deu baixa na Marinha Americana, onde havia servido durante a Segunda Guerra Mundial, ele retornou para a vida civil e como muitos outros como ele viu-se no momento decisivo em que tinha que decidir o que iria fazer do resto de sua vida. A vida militar havia chegado ao final e agora ele tinha que determinar um rumo para seu futuro. Há muitos anos Rock tinha um velho sonho de se tornar ator. Seria realmente maravilhoso ganhar a vida fazendo aquilo de que gostava. Quando era apenas um rapaz do meio oeste jamais contou esse desejo para ninguém, porém quando a guerra acabou ele se viu livre para fazer o que bem entendesse de sua vida. Rock serviu em um cruzador e quando esse chegou na baía de San Francisco foi recebido por uma grande festa ao som de sentimentais canções cantadas por Doris Day. Em sua autobiografia Rock recorda que jamais esqueceu esse dia pois em poucos anos ele próprio, aquele marinheiro completamente desconhecido, estaria estrelando filmes ao lado de Doris Day - quem naquela altura poderia dizer que algo assim um dia aconteceria? A primeira providência de Rock ao pisar em solo americano novamente foi ir embora em direção a Los Angeles, onde estava Hollywood, a terra onde ele tencionava realizar seus sonhos. A Universal tinha uma excelente escola de treinamento para atores iniciantes, onde belos e jovens rapazes eram treinados pelo estúdio para se tornarem futuros astros e campeões de bilheteria.

Assim numa manhã Rock pintou pela primeira vez diante dos portões da Universal. Ele já havia assinado com um agente, Henry Wilson, e tinha firmes esperanças que seria aceito para a escola. O que importava para os recrutadores da Universal naquela época nem era o fato dos aspirantes a atores terem realmente talento dramático. Na visão do presidente do estúdio o que vinha em primeiro lugar era a boa aparência, depois com o tempo, estudo e dedicação, o talento para atuar despontaria. No primeiro dia de teste Rock participou de uma sessão de fotos. O que se procurava era alguém que tivesse um ótimo perfil, que fosse alto, elegante e que incorporasse a essência do chamado "galã de cinema americano". Para sua sorte Rock se enquadrava em todos os padrões estéticos. Era alto, tinha um rosto perfeito para a câmera e um estilo que combinava muito bem com o que a Universal vinha procurando. Quem deu o aval para que Rock fosse contratado imediatamente foi o diretor Raoul Walsh. Ele sabia que Rock precisava de muito estudo e lapidação para se tornar um bom ator, mas seu ótimo visual não poderia ser dispensado. Walsh disse ao recrutador do estúdio: "Contrate esse Rock Hudson. Ele parece um herói americano das telas. Depois vamos lapidar melhor o rapaz".

Rock foi contratado naquela mesma tarde, com um pequeno salário de 1.200 dólares, algo que o deixou impressionado. Acostumado com o soldo de marinheiro aquilo era realmente fantástico, um sinal de que seu velho sonho em ser ator de cinema um dia poderia se concretizar. Para mostrar que Rock ficava ótima em cena Raoul Walsh resolveu aproveitar ele em uma ponta de seu novo filme, "Sangue, Suor e Lágrimas". Colocou Rock em um uniforme da força aérea e ficou realmente muito satisfeito com o resultado. A um assistente de direção confidenciou: "Esse jovem Rock Hudson vai ser um astro, pode ter certeza, olha a estampa dele, realmente impressionante!". Depois dessa sua primeira experiência como ator, Rock foi enviado para o centro de treinamento de novos talentos da Universal onde acabou conhecendo outros alunos, entre eles algumas futuras estrelas como Tony Curtis, Jeff Chandler e Tab Hunter.

A partir do momento em que virou um ator sob contrato da Universal tudo mudou. Suas roupas, os locais que deveria ou não frequentar, com quem sairia ou que tipo de atitude deveria adotar em público, seria determinado pelo estúdio. Rock começou a frequentar festas em Hollywood, onde seria apresentado pela imprensa pelo setor de relações públicas. Como não tinha uma namorada, a Universal determinou que deveria sair com outras alunas do departamento de treinamento da empresa. Assim Rock saía com outras aspirantes à atriz, que estavam como ele tentando alcançar o estrelato. Era uma forma de promoção dupla, tanto para ele como para suas lindas acompanhantes. Na vida pessoal Rock se tornou grande amigo de George Nader. Ele era um atlético e jovem promissor ator que nas horas vagas gostava de escrever livros de ficção científica. Nader se tornou muito próximo de Rock porque assim como o amigo também tinha um segredo a esconder da Universal: era gay e morava há anos com Mark, seu companheiro de longa data. Rock Hudson e George Nader jamais tiveram um relacionamento amoroso, mas sua amizade duraria até o fim de suas vidas. Quando morreu, Rock nomeou George e Mark como seus herdeiros, provando que aquela singela amizade nascida nos corredores da Universal seria o começo de um grande elo de ligação pessoal entre todos eles.

Pablo Aluísio. 

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