segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Hedy Lamarr

Quem disse que uma linda atriz de cinema também não poderia ser extremamente inteligente? A história de Hedy Lamarr provou justamente que beleza e inteligência podem sim conviver perfeitamente. A vida da atriz não foi fácil e tampouco pode ser considerada banal. Ela nasceu na maravilhosa e sofisticada Viena, na Áustria, em 9 de novembro de 1914. Se estivesse viva estaria completando 101 anos de idade, algo que o Google fez questão de recordar a colocando como destaque de seu mecanismo de buscas (assista abaixo). Hedy era de um tempo em que as mulheres só poderiam almejar um bom casamento, filhos e nada muito além disso. Sua personalidade porém rejeitava modelos de comportamento. Desde cedo sua veia artística despontou e ela começou a atuar em pequenas peças amadoras de teatro. Também amava música e tocava piano desde os 10 anos de idade.

Mais além de tudo ela se encantava com o cinema, não apenas com os filmes em si, mas o próprio invento a fascinava. Ela tinha uma curiosidade natural que a tornaria uma pessoa estudiosa e dedicada a inventar coisas - algo que lhe tornaria célebre no futuro. Pois bem, no começo da carreira, embora fosse uma linda mulher, os convites eram raros. Além disso na região da Europa onde vivia não havia uma indústria de cinema. Assim ela acabou aceitando participar de uma produção chamada "Êxtase", toda filmada em Praga. O mais notório desse filme é que havia cenas de nudez. Lamarr era uma mulher bem à frente dos padrões da época e aceitou realizar a tão polêmica cena onde ela caminhava nua no meio de uma floresta. Claro que para a década de 1930 aquilo era um escândalo completo. O que hoje seria visto como algo até bucólico, naqueles tempos foi encarado como uma afronta à moralidade.

Como a carreira de atriz não decolava ela acabou arranjando um bom partido, um industrial fabricante de armas chamado Friedrich Mandl. Ele era bem mais velho do que ela, tinha uma personalidade controladora e moralista e queria que a esposa se tornasse uma dona de casa padrão. Algo que Lamarr definitivamente não desejava para si. Dessa maneira o casamento logo chegou ao fim. Sempre seguindo o sonho de ser uma atriz de sucesso ela entendeu que só realizaria esse desejo se fosse para os Estados Unidos. E assim no verão de 1937 ela pegou um navio rumo à América. Seu primeiro filme americano foi "Argélia" de 1938. Era um romance à moda antiga onde contracenava com o galã francês Charles Boyer. A química deu tão certo que a produção logo se tornou um grande sucesso de bilheteria.

Com longos cabelos negros e uma beleza natural ela logo começou a ser considerada uma das mais promissoras atrizes jovens de Hollywood. Os estúdios queriam lucrar com ela e em pouco tempo Lamarr estava colecionando sucessos. Em "Flor dos Trópicos" fez outra parceria de grande êxito comercial ao lado do galã Robert Taylor. Atuou ao lado de Spencer Tracy em "A Mulher Que eu Quero" e Clark Gable em "Fruto Proibido". Em menos de um ano ela já era a estrela preferida dos principais galãs de Hollywood.

Curiosamente ao lado do mundo glamoroso da capital do cinema ela também desenvolveu um incrível talento como cientista. Durante a II Guerra Mundial ela criou um sistema pioneiro que tinha como objetivo atrapalhar as comunicações das forças nazistas. Era algo tão inovador e raro que mal foi compreendido na época. Esse sistema seria a base do telefone celular que só viraria realidade muitos anos após sua invenção. De fato ela foi a criadora de um dos mais revolucionários aparelhos da modernidade, embora nem mesmo ela soubesse a real extensão de sua criação naqueles distantes anos da década de 1940.

Nessa década aliás a atriz colecionou uma série de sucessos de bilheteria. Filmes românticos que exploravam basicamente sua beleza fascinante. Mesmo sendo muito talentosa jamais conseguiu ser reconhecida como uma grande atriz. Havia um certo preconceito contra mulheres bonitas demais pela crítica, agravado ainda mais pelo fato dela ser estrangeira. Assim jamais chegou a ser indicada a um Oscar, apesar dos inúmeros filmes que fez. Sua fase de maior sucesso encontrou seu auge com a super produção "Sansão e Dalila" de 1949, onde ela interpretou a famosa personagem bíblica. Victor Mature interpretou Sansão e ela a linda e perigosa Dalila, que iria conquistar o coração do forte, mas frágil emocionalmente, guerreiro.

Como nunca foi reconhecida além de sua beleza nas telas a carreira de Lamarr começou a entrar em declínio na década seguinte. Novas beldades chegaram em Hollywood, bem mais jovens e assim os convites para novos filmes foram ficando mais raros. A vida pessoal e romântica também foi turbulenta. Hedy Lamarr se casou sete vezes e em todos os enlaces matrimoniais teve que enfrentar problemas e mais problemas conjugais. Seu último casamento foi com o advogado Lewis Boles, já nos anos 60. Infelizmente foi outra união infeliz que durou muito pouco, menos de três anos. Seu último filme foi "Naufrágio de uma Ilusão" de 1958 onde interpretava uma personagem chamada Vanessa Windsor, ironicamente uma estrela decadente de cinema que disputava o amor de um homem mais jovem com sua própria filha (Jane Powell). Com problemas de saúde ela aos poucos foi se afastando da carreira. Embora muitos pensassem que ela não viveria muito por causa disso a atriz conseguiu se superar tendo uma vida longa, só vindo a falecer em 2000 com 85 anos de idade. Seu último desejo foi que suas cinzas fossem espalhadas na bela floresta de Wienerwald, na sua Áustria natal, um lugar que ela adorava e que gostava de passear em sua infância. Foi justamente lá que seu filho realizou esse último pedido de sua querida mãe.

Pablo Aluísio. 

4 comentários:

  1. Ótimo texto Pablo. Hedy Lamarr era uma atriz notável e diferente das outras de sua época. A eterna Dalila deixou muitas saudades. Na minha época de faculdade tive uma amiga chamada Edilamar (escrito exatamente assim). Nome dado por seu pai que era fã da atriz.

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  2. Muito curiosa a história do nome dessa garota. Os brasileiros são assim mesmo, bem imaginativos. No mais, Lamarr foi realmente um caso à parte na história de Hollywood. Uma mulher bonita e inteligente que acabou marcando a história com seu invento que décadas depois iria se tornar a base científica do telefone celular, quem diria...

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  3. É verdade Pablo. O meu pai certa vez me contou essa história sobre a invenção da Hedi que teria sido o embrião dos aparelhos celulares de hoje. Eu não acreditei. Mas meu pai estava certo. Na época não existia internet e nem o oráculo, Google para comprovar a história do meu pai. kkkk

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  4. Seu pai pelo visto era bem entendido em cinema, como você já havia me dito. Essa informação ficou obscura por muitos anos.

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