segunda-feira, 21 de março de 2016

Cinema Clássico - Marilyn Monroe na Coreia

Marilyn Monroe tinha acabado de se casar com o jogador aposentado Joe DiMaggio quando o departamento de Estado americano a convidou para realizar uma pequena turnê na Coreia para as tropas estacionadas naquele distante país. Era tradição em Hollywood desde a Segunda Guerra Mundial o uso de artistas e estrelas famosas do cinema como esforço de guerra, onde eles poderiam providenciar entretenimento e diversão para os combatentes. Marilyn adorou a ideia, mas seu marido odiou. O casamento mal tinha começado e ela e Joe já tinham desavenças sérias e conflitantes, algumas vezes tudo indo parar em agressão física. Mesmo com Joe dizendo para ela não ir Marilyn pegou o primeiro avião para a Coreia.

Segundo algumas biografias na noite anterior da viagem de Marilyn houve uma séria briga na casa onde eles viviam em San Francisco. Joe teria agarrado Marilyn com força e ela acabou torcendo o polegar da mão. Isso obviamente não passou despercebido da imprensa pois quando Marilyn chegou no aeroporto de Seul todos puderam constatar que ela realmente estava com o dedo machucado que escondia usando um pequeno curativo. Joe era um italiano típico e não aceitava desaforos da esposa. Sua forma antiga de entender como um casal deveria se relacionar acabou sendo o estopim do fim do casamento. Marilyn era independente demais para aceitar esse tipo de coisa.

Embora ela posasse para a imprensa como a esposa perfeita e dona de casa ideal todos sabiam que no fundo ela estava decepcionada e frustrada com o casamento. Para manter as aparências Marilyn chegou a dizer para um jornal de San Francisco: "Adoro cuidar das coisas do meu marido. Estou sempre passando sua roupa e suas camisas. Quando vejo Joe com uma camisa nova passada por mim fico muito feliz. As mulheres devem tratar muito bem seus maridos para que o casamento seja feliz". Tudo era mentira por parte dela. Marilyn contratou três empregadas domésticas e eram elas que afinal passavam a roupa do marido. Organização aliás não era com Norma Jean (seu verdadeiro nome). Marilyn deixava roupas espalhadas pelo chão da casa e não se importava com arrumação doméstica. Ela viveu quase toda a vida meio largada, em pequenos apartamentos de Los Angeles e nunca foi muito asseada. Já Joe DiMaggio era maníaco por organização. A diferença de personalidade deles certamente dava origem a muitas brigas violentas com gritos e agressões físicas.

Naquela altura de sua vida porém Marilyn não queria mais saber disso. Ela foi escalada para cantar na Coreia e isso a deixava nervosa. Marilyn nunca foi uma cantora segura de si. Desde os primeiros tempos na Fox, ainda nas aulas de canto, ela se sentia extremamente nervosa e insegura. Na frente daquele monte de soldados ela teve que dar o melhor de si e acabou não se saindo nada mal. As apresentações foram curtinhas, onde Marilyn subia ao palco, cantava meia dúzia de músicas, acenava para os militares, sorria, brincava, falava algumas piadinhas e ia embora. O ponto alto foi sua apresentação muito sensual de "Do It Again", que levantou a tropa. "Kiss" também contou com toda a malícia do mito. Por fim ela não poderia deixar de cantar sua música mais conhecida, "Diamonds Are a Girl's Best Friend". Foram quatro shows no total e Marilyn recebeu um agradecimento especial do comando militar americano. Esses shows serviram para Marilyn voltar a ter contato com o grande público. Depois deles ela desistiu daquela coisa de ser uma dona de casa. A atriz queria voltar o mais rapidamente possível para os filmes. Pior para Joe DiMaggio que ficou a ver navios.

Pablo Aluísio.

Um comentário:

  1. Cinema Clássico - Pablo Aluísio
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