quinta-feira, 12 de maio de 2016

Assim Estava Escrito

Título no Brasil: Assim Estava Escrito
Título Original: The Bad and the Beautiful
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Vincente Minnelli
Roteiro: Charles Schnee, George Bradshaw
Elenco: Lana Turner, Kirk Douglas, Walter Pidgeon, Dick Powell, Gloria Grahame, Gilbert Roland
  
Sinopse:
Harry Pebbel (Walter Pidgeon), um dono de estúdio de cinema em Hollywood, reúne em seu escritório três grandes nomes da indústria: a estrela Georgia Lorrison (Lana Turner), o roteirista James Lee Bartlow (Dick Powell) e o diretor Fred Amiel (Barry Sullivan). Ele quer que os três aceitem o convite do produtor Jonathan Shields (Kirk Douglas) para trabalharem em um novo filme. A partir daí todos eles começam a relembrar fatos que viveram no passado ao lado de Shields. Na maioria deles lembranças bem dolorosas. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator (Kirk Douglas). Vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Gloria Grahame), Melhor Roteiro (Charles Schnee), Melhor Fotografia (Robert Surtees), Melhor Direção de Arte (Cedric Gibbons, Edward C. Carfagno) e Melhor Figurino (Helen Rose). Também indicado ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Filme.

Comentários:
Temos aqui um clássico realmente maravilhoso. O tema já é por demais interessante: o próprio mundo do cinema. No filme o astro Kirk Douglas interpreta um ganancioso produtor de Hollywood. Ele consegue construir do nada um estúdio de cinema e aos poucos vai colecionando sucessos de bilheteria. O começo é modesto. Shields (Douglas) precisa produzir filmes baratos, produções B de terror. Quando conhece o jovem e promissor diretor Fred Amiel (Barry Sullivan), que deseja adaptar um livro clássico da literatura para as telas,  percebe que sua sorte pode mudar. Shields tem um talento natural para descobrir futuros profissionais brilhantes, assim ele também aposta numa jovem atriz, com pouca experiência e baixa auto estima, a loira Georgia Lorrison (Turner). Filha de um ex-astro do passado, ela não consegue superar seus problemas emocionais. Afundada no alcoolismo por causa das frustrações na carreira ela é finalmente resgatada da sarjeta por Shields. Por fim o mesmo produtor percebe que o futuro do cinema vem da contratação de escritores para roteirizar os filmes. Por isso também contrata o romancista James Lee Bartlow (Powell) para trabalhar ao seu lado. Todas essas pessoas deveriam ter laços eternos de gratidão com Shields, mas isso não acontece porque o produtor mais cedo ou mais tarde acaba decepcionando todos ao seu redor com suas atitudes. Shields é um personagem maravilhoso porque é real, ele tem sentimentos mesquinhos e não ousa em trair as pessoas caso entenda que isso seja necessário. Ao mesmo tempo possui um inegável talento para convencer a todos, mesmo quando foram magoados por ele no passado. O roteiro desse filme é realmente brilhante porque toda a história de Shields é narrada em flashback enquanto seus antigos desafetos são reunidos na sala de um dono de estúdio que quer convencê-los a trabalharem com Shields novamente. Esse filme foi um projeto bem pessoal de Kirk Douglas que conseguiu mostrar os bastidores do mundo do cinema como nunca antes visto. Ele chamou o talentoso cineasta Vincente Minnelli para dirigir e isso trouxe um grande impacto na tela. Fugindo de enquadramentos convencionais Minnelli criou uma obra imortal. O elenco também está todo em estado de graça. Lana Turner tem uma de suas melhores interpretações: a de uma linda atriz que por baixo de toda a imagem glamorosa esconde uma mulher muito frágil emocionalmente falando. As semelhanças com Marilyn Monroe chegam a ser óbvias. Kirk Douglas dá vida ao produtor Shields, uma verdadeira força da natureza, egoísta e egocêntrico em certos momentos, amigo e fiel em outras situações. Um verdadeiro camaleão. Curiosamente no meio de tantos talentos quem acabou levando o Oscar foi a atriz Gloria Grahame. Ela interpreta a esposa de um escritor contratado por Shields para ser o novo roteirista de seu estúdio. Uma beldade do sul, ela fica deslumbrada e magnetizada pela vida de luxo e riqueza de Hollywood e acaba sendo manipulada por Shields para seus interesses pessoais, o que acaba resultando em uma grande tragédia. Enfim, "Assim Estava Escrito" é realmente uma obra prima do cinema clássico americano. Um filme fantástico que é principalmente indicado para os cinéfilos em geral, para as pessoas que amam a sétima arte e sua história. É seguramente um dos melhores autorretratos já feitos por uma Hollywood em seus tempos de glória e auge.

Pablo Aluísio.

Um comentário:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.9

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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